Contrário à maioria do
PMDB que apoiou Lula, Temer tenta dificultar participação do partido no
governo
Depois de inventar a
desastrada candidatura de Anthony Garotinho à Presidência da República, pelo
PMDB, com o único propósito de dividir o partido e, em última instância,
ajudar a campanha tucana, o deputado Michel Temer decidiu, após ser derrotado
dentro do partido, se somar pessoalmente ao projeto neoliberal, privatista e
golpista de Geraldo Alckmin.
Acabou, como era previsível,
sendo fragorosamente derrotado junto com o candidato tucano. A grande maioria
do PMDB, ao contrário da posição de Temer, decidiu apoiar a reeleição do
presidente Lula e comemorou nas ruas a vitória com quase 60 milhões de votos
do presidente. Portanto, essa atitude oportunista de Michel Temer acabou
inviabilizando completamente a sua permanência na presidência do PMDB.
Além disso, dos sete
governadores eleitos pelo partido, cinco já apoiaram desde o primeiro turno a
reeleição do presidente Lula. E, Luiz Henrique, reeleito no segundo turno, por
Santa Catarina, já vinha mantendo uma relação bastante construtiva com o
presidente da República.
Como se não bastasse a
decisão de apoiar o projeto antipopular e antinacional do PSDB e do PFL,
Michel Temer, agora, insinua que pretende representar o partido nas
negociações com o novo governo. Já fala até em apresentar ao presidente
eleito, as “condições” para que o partido venha a apoiar o governo. As
“exigências” de Temer não passam de obstáculos criados por ele para dificultar
uma maior integração do partido com o novo governo, como se representasse o
PMDB que ele renegou.
O PMDB fará convenção
nacional em março de 2007 para decidir a sucessão à presidência da legenda e o
fato concreto é que não há mais a menor condição política para que Michel
Temer se mantenha na presidência do partido.
O novo projeto de
desenvolvimento para o país vitorioso nas urnas, no qual o PMDB terá um
participação decisiva e fundamental, demanda uma nova direção partidária,
verdadeiramente comprometida com este novo projeto. É evidente que não é
Michel Temer quem representa esse novo momento.
O interlocutor do PMDB junto
ao novo governo tem que, necessariamente, representar o sentimento do partido.
E este não é o caso. Temer não representa e, na verdade, nunca representou
verdadeiramente os interesses do PMDB.
SÉRGIO CRUZ