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Povo reelege Lula e repele, nas urnas, privatistas e
golpistas
Dos
5.565 municípios, Lula venceu em 4.014 deles.
Enquanto a votação de Geraldo Alckmin desceu, a de Lula aumentou em 11.632.677
Muitas vezes os números são usados para esconder, deformar e falsificar a realidade. Mas a culpa, já disse
um presidente da República, não é dos números, mas dos charlatães, picaretas e
escroques que os manipulam. Ou que, simplesmente, os falsificam: é o caso, por
exemplo, daqueles assacados pelo doutor Alckmin, segundo os quais a lei de
florestas daria concessões na Amazônia que, no total, seriam do tamanho de
“dez Estados do Acre”. Ou seja, 12 vezes a área verdadeira que consta da lei –
que ele deve conhecer muito bem, pois sua aprovação foi garantida não pelo PT
nem pelo PMDB, mas pelo PSDB.
DEBATES
Mas deixemos o
submundo da política, ou a política do submundo, e vejamos alguns números
reais sobre as eleições de domingo, que esboçam um quadro colossal do mais
decisivo pleito já ocorrido no país.
O Brasil tem 5.565
municípios. Nas eleições de domingo, Lula venceu em 4.014 deles.
Ao terminar o
primeiro turno, como registramos aqui no HP, o governador Eduardo Braga
(PMDB-AM) declarou que no segundo turno Lula aumentaria sua votação no
Amazonas. Era uma afirmação que parecia algo extraordinária, pois Lula havia
conseguido 78% dos votos válidos naquele Estado. No entanto, o governador
sabia o que estava dizendo: no segundo turno, Lula obteve 86,8% dos votos
amazonenses.
O acontecimento é
apenas ilustrativo do que houve em todo o Brasil. Porém, mais significativo
ainda é que a votação de Alckmin diminuiu entre um turno e outro: 2.425.191
eleitores que tinham votado nele no primeiro turno, negaram-lhe seu voto no
segundo, certamente por melhor conhecer o candidato. Foi esse o resultado de
toda aquela presepada circense em torno de “debates”, “debates”, “debates”.
Houve os debates, até que ninguém agüentava mais tanto debate - precisamente
porque eles nada tinham a dizer, exceto a costumeira chorumela udenista. Na
verdade, não podiam apresentar o seu verdadeiro programa, pois sabiam que ele
era repudiado pelo povo. Porém, ao não apresentá-lo, deixaram claro qual era.
Quanto a isso, nada mais ridículo do que as negativas de que não pretendiam
privatizar a Petrobrás, o BB, a CEF e os Correios. Aliás, há algo mais
ridículo: as acusações de que Lula é que era o privatizador. Por último,
colocaram no ar uma ensandecida propaganda supostamente contra as
privatizações. Em suma, sua linha de campanha era mostrar que eram eles, e não
Lula, os maiores paladinos do programa de governo de Lula...
Naturalmente, o
eleitor recusou quem o tratava como idiota. Recusou quem escondia seu
repulsivo programa, ainda que esse estivesse mais nu do que o rei da história
de Andersen. Enquanto a votação de Alckmin diminuía em 2 milhões e meio de
votos, Lula aumentava a sua em mais de 11 milhões e meio, precisamente em
11.632.677 votos. A diferença entre os dois, de um turno para outro, aumentou
de 6.693.996 para 20.751.864 de votos, ou seja, mais do que triplicou. Não
somente Lula ganhou votos entre os eleitores que haviam votado em candidatos
que não estavam no segundo turno, mas uma parcela ponderável dos eleitores de
Alckmin no primeiro turno preferiu Lula no segundo.
Tudo isso depois
de 18 meses de campanha difamatória, enfrentando um aliança, melhor dizendo,
um conluio reacionário que incluía os serviçais de Wall Street na vida
política, na mídia, na especulação, no TSE, e até alguns transviados que
fizeram o possível para desmerecer sua condição de membros do Ministério
Público ou da PF.
Lula teve
58.295.042 votos. Contra Serra, no segundo turno da eleição passada, Lula foi
votado por 52.793.364 eleitores. Ainda que as diferenças quanto ao conjunto do
eleitorado devam ser consideradas, esse aumento de 5.501.678 votos de uma
eleição para outra, depois dessa campanha sórdida de um ano e meio - somente
comparável, como lembrou o presidente, com aquelas promovidas contra Getúlio,
Juscelino e Jango – é um julgamento popular mais do que eloqüente para um
governante.
Mas, na verdade,
não foi Lula que foi julgado. Foram outros os que estiveram no banco dos réus,
e foram inapelavelmente condenados. Em síntese, a reação foi esmagada naqueles
que considerava, sem razão, os seus refúgios. Que melhor julgamento para o
bravateiro tucano Artur Virgílio do que os 86,8% votos de Lula no Amazonas?
Que melhor sentença para o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, do que a
votação monumental de Lula no Ceará?
Três Estados
(Goiás, Acre, Rondônia) e o Distrito Federal, em que Alckmin havia ganho no
primeiro turno, desta vez preferiram Lula, que cresceu também em todos os
Estados em que ficou atrás de Alckmin, enquanto este perdia votos em todos
eles, com exceção de um, o Rio Grande do Sul.
Em suma, uma
votação consagradora e esmagadora. O povo escolheu o seu projeto e o seu
representante, aquele que condensa as suas aspirações.
RECUO
Diante de tal
efeméride – algo que merece ser chamado de acontecimento épico – os golpistas
da véspera, aqueles que prometiam não deixar Lula governar, aqueles que
queriam acabar com seu novo governo antes que este começasse, tomaram a
prudente medida de recuar em seu golpismo (ver matéria nesta página). É
verdade que provisoriamente, pois há gente que é incorrigível, mas não deixa
de ser sintomático que nem eles tenham, diante da maré popular que tomou o
país nas eleições, deixado de perceber as funestas conseqüências que poderiam
resultar para eles, se continuassem a recalcitrar.
CARLOS LOPES
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