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EUA admite recorde de soldados mortos por Resistência iraquiana

O governo Bush teve que admitir: “mais de 100 soldados americanos foram mortos em outubro no Iraque”. As medidas para ocultar o número de baixas não conseguiram abafar os êxitos dos iraquianos

A uma semana das eleições intermediárias que podem mudar o controle do congresso, os jornais dos EUA, assim como agências de notícias e emissoras de TV, deram manchetes anunciando “mais de cem mortos pela primeira vez em quase dois anos” – um recorde no mês de outubro que sublinhou o fracasso da operação de quatro meses para asfixiar Bagdá. Assalto ao qual Rumsfeld, Cheney e Bush lançaram 14 mil soldados dos EUA e 30 mil guardas e soldados colaboracionistas, mais milhares de sicários dos esquadrões da morte, e que se esboroou.

Naturalmente, como mentiu sobre tudo mais nessa guerra, Bush também mente sobre o número de mortos nos combates do mês sagrado do Ramadã; o número é muito maior, como se depreende da consulta aos sites ligados à Resistência e pode ser intuído em eventos como a destruição de Camp Falcon, em Bagdá, por ataque com mísseis e foguetes.

Ainda assim, acaba ocorrendo a admissão de que a Resistência impôs um indiscutível recorde de invasores mortos e quebrou a pretensiosa operação. E o fez numa escala tal que o próprio Bush deixou escapar a indiscrição de que a vitória da Resistência iraquiana se comparava à “Ofensiva do Tet” – a lendária ação da guerrilha vietnamita em 1968 que decidiu o destino da guerra. 

A SAÍDA 

Seja já comparável, ou esteja a caminho, o certo é que virtualmente não há mais como “manter o curso” de continuar assaltando o petróleo iraquiano nos moldes atuais, os generais estão dizendo que a vaca foi pro brejo, os eleitores dos EUA repudiam, o governo fantoche é uma piada, e até o salva-Bush de plantão de sempre, James Baker, foi chamado para uma comissão de busca de uma saída. Que, como se sabe, pode ser por terra, rumo à Arábia Saudita, Jordânia e Turquia.       

O Pentágono reconheceu que “subiu o nível dos ataques” da Resistência, mas que isso ocorre, um, “devido ao Ramadã”, dois, “por causa das nossas eleições”. “Se eles [os guerrilheiros] pudessem aumentar a violência, eles poderiam aumentar a oposição à guerra e ter uma influência contra o presidente”, insistiu o porta-voz Eric Ruff. O fato é que puderam. E mataram um número recorde de invasores. Note-se que, nesse período, o chefe do exército inglês defendeu a retirada o quanto antes, porque a situação também está ficando dramática no sul. E generais não escondiam que a província de Anbar – que é um-terço da área do Iraque – estava perdida.

Aliás, muitos americanos mais lúcidos tornaram explícito que a guerra “estava perdida”, mas quanto mais essa questão se afirmava, mais a máfia texana era tentada a medidas extremas na expectativa de uma virada. Entrou na ordem do dia a Opção El Salvador, conhecida no Vietnã como Operação Pheonix, o que foi levado a cabo, primeiro, montado uma extensa rede de esquadrões da morte, segundo, depois, com a provocação da explosão da Mesquita Dourada de Samarra, que serviu de mote para a limpeza étnica.  

FRACASSO  

Mas de há muito, os invasores admitem o que Sadam já dizia, que a guerra vai ser decidida em Bagdá. Então, disseminar os esquadrões da morte, levar a cabo a partilha do país imposta no parlamento-farsa, tornou-se para Bush e Cheney uma questão inevitável. Como Bagdá era grande demais para um assalto como o contra Faluja ou Tal Afar, diante das tropas que dispunham,  resolveram a-tacar por partes. O exército invasor cercaria uma área e a tomaria por 60 ou 90 dias. Todo o contato com as regiões vizinhas seria impedido, as casas revistadas, os guerrilheiros capturados ou mortos, as armas tomadas.

Supostamente, pelo menos era o que contavam, a guarda ou a polícia colaboracionista passava em seguida  a controlar a área “estabilizada” e seriam realizadas obras de melhoria, recuperação da rede elétrica e fornecimento de água. Essa conversa fiada toda era para liberar os esquadrões da morte nas “áreas em estabilização”. Há numerosos relatos de como, num bairro sob cerco das tropas dos EUA, comboios de assassinos entravam pelos postos de controle sem serem molestados, chacinavam à vontade e, caso a Resistência conseguisse levar a melhor, os soldados dos EUA e a aviação corriam para socorrer os assassinos.

Nesses quatro meses, os necrotérios de Bagdá ficaram entupidos de cadáveres. Corpos com marcas de tortura apareciam todos os dias nas ruas. No entanto, os invasores e seus instrumentos não conseguiram aplastar a Resistência e domar Bagdá. Fora das bases e em grande número, os invasores ianques ofereciam uma profusão de alvos, muito bem aproveitados. E depois, embalados em sacos negros e enviados de volta aos EUA. O fracasso fez Bush se apressar em achar um bode expiatório, e o mais frágil, à disposição, é o primeiro-fantoche, des-cartável, Maliki. 

ANTONIO PIMENTA

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