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Dick Cheney afirma que tentativa de afogamento de presos não é tortura

O vice-presidente de Bush, Dick Cheney, admitiu o uso da “técnica” de tortura conhecida como afogamento no trato de “suspeitos de terrorismo” aprisionados pela CIA em Guantánamo, Abu Graib e nos presídios secretos espalhados pelo governo dos EUA em diversos países.

A admissão foi feita na semana passada, após um repórter da rádio Seattle Times questioná-lo a respeito da tortura, que consta em segurar a cabeça da vítima embaixo da água para simular um afogamento e produzir uma severa falta de ar, fazendo com que ela acredite que a morte é eminente: “Estamos todos de acordo, se salva vidas norte-americanas”, afirmou Cheney.

“Para mim é uma obviedade”, acrescentou. “Porém durante um tempo fui criticado por ser a favor da tortura”, disse, dando a entender que não considera o afogamento como uma forma de tortura. “Cumprimos as obrigações que nos impõem os tratados internacionais que temos assinado, e continuaremos fazendo”, afirmou, causando indignação de grupos de direitos humanos em todo o mundo.

Um dos aspectos mais preocupantes ressaltado por Martin Scheinin, relator da ONU para promoção dos direitos humanos, é que a lei recentemente aprovado nos EUA dar poderes a Bush para declarar “combatente inimigo ilegal” a qualquer cidadão, inclusive dos EUA, sem qualquer julgamento ou prova.

O senador republicano John Cain diz acreditar que o afogamento está descartado pela “Lei das Comissões Militares”, apresentada pelo governo Bush e aprovada pelo Congresso, num esforço para dar ares de legalidade à tortura praticada pelos elementos da CIA. Segundo Martin Scheinin, a lei adotada por Washington afronta as legislações internacionais humanitárias e jurídicas, assim como as Convenções de Genebra, “especialmente no relativo ao artigo 3, sobre a situação dos detidos em conflitos armados”.

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