‘Juros continuarão caindo’, afirmou o presidente Lula
“A casa está em ordem para passar à etapa seguinte”,
completou, reafirmando que seu 2º mandato será marcado pelo crescimento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em entrevista a jornais europeus na semana passada que os juros continuarão em
queda no país. “A taxa básica do Banco Central, cobrada de cerca de um terço
das empresas, está em queda por vários meses. Vai continuar a cair”, disse o
presidente. A entrevista foi concedida ao “El País”,
da Espanha; “Le Figaro”, da França e “La Repubblica”, da Itália. Além da queda
nos juros, Lula disse que o governo continuará a controlar a inflação, “por
causa de seu impacto considerável sobre a renda dos mais pobres. Não podemos
nos permitir nenhum passo em falso nesse terreno”.
O presidente Lula reafirmou
que seu segundo mandato será marcado pelo crescimento econômico, uma vez que
“a casa está em ordem para passar à etapa seguinte”. De acordo com o
presidente, “este mandato pode ser infinitamente melhor que o primeiro, senão
não teria concorrido à minha própria sucessão”. Ainda sobre as perspectivas do
segundo mandato, Lula disse que “demonstrei que posso governar melhor que
Cardoso (FH), mas agora tenho de competir comigo mesmo, o que é mais difícil”.
REFORMA POLÍTICA
Lula defendeu a realização
da reforma política “o mais rápido possível” para combater a corrupção.
“Queremos uma legislação que permita a renovação dos partidos políticos, que
haja fidelidade partidária, estabilidade interna mediante uma lista de
candidatos e que o financiamento dos partidos seja público, e não privado”,
declarou.
O presidente destacou o
trabalho desenvolvido pela Polícia Federal em seu governo, mostrando que a
instituição realizou 300 operações no que classificou como uma “batalha contra
a corrupção”, enquanto que o governo anterior, em oito anos, realizou apenas
48 operações. “Atualmente, qualquer um que sair do caminho correto será
punido, seja quem for”, disse Lula completando: “Todos os que estão envolvidos
em acusações de corrupção devem ser processados, nenhum deles terá proteção do
meu governo”. Lula ressaltou que “os bandos descobertos há anos operavam no
país e ninguém dizia nada”, e que no passado “preferiram jogar a corrupção
debaixo do tapete e nós a revelamos”.
AMÉRICA LATINA
Quanto à política externa
brasileira, o presidente reafirmou que a prioridade do governo continuará
sendo a integração da América do Sul. “Estou convencido que o Brasil está
certo em sua política externa”, declarou Lula ressaltando que “o Brasil é um
país rico, mas não pode crescer com países pobres a seu redor. Sabemos como
ajudar esses países, porque somos a maior economia da América Latina e temos
obrigações para com nossos parceiros”. Lula defendeu “trabalhar em harmonia”
com os países sul-americanos, “para que as pessoas vejam o nosso continente
crescer”. “Temos de pensar em quem está mais próximo de nós, quais são as
semelhanças entre os países da América do Sul e do Brasil e o que podemos
fazer para nos ajudar mutuamente”.
Perguntado sobre sua relação
com o presidente venezuelano, Lula declarou: “Chávez é bom para a Venezuela. É
o único presidente que, nos últimos 30 anos, se preocupou com os pobres de seu
país. E o mesmo ocorre com Evo Morales”.
Sobre as relações com a
Europa e os Estados Unidos, Lula defendeu: “Queremos uma relação privilegiada
com a Europa e também com os Estados Unidos, que é uma relação estratégica e
nosso maior sócio comercial. Mas precisamos nos abrir para novos espaços neste
mundo globalizado e não podemos ficar dependentes de uma ou duas economias”.
A união do Brasil com seus
vizinhos foi defendida por Lula nas negociações, considerando que “o Brasil
sabe que seu tamanho e seus 190 milhões de habitantes fazem dele um
interlocutor indispensável, tanto para os Estados Unidos quanto para a Europa.
Mas outros gigantes emergentes são ainda maiores. Para se medir à Índia ou à
China, o Brasil precisa de seus vizinhos”.