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Meirelles mistura alhos com bugalhos para tentar manter juros escorchantes

Em entrevista coletiva em São Paulo, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse considerar “extremamente positivo” o debate “sobre como podemos crescer mais” e que “no caso do banco Central, a maior contribuição que pode ser dada é a de não deixar dúvidas que a inflação ficará na meta. Isso reduz os custos de inflação e de juros de longo prazo”.

Enrolação à parte, o que Meirelles procurou esconder é o que o problema principal que levou à desaceleração da economia – e é por isso que existe o debate na sociedade sobre crescimento – são os juros estratosféricos estabelecidos por ele e sua trupe do BC para perseguir uma meta irreal de inflação, este ano de 4,5%. O resultado disso foi uma queda brutal dos investimentos privados e do Estado, uma vez que para cobrir o enorme déficit nominal em função desses juros altos o remédio usado é um superávit primário - que mesmo de um tamanho tão absurdo não é suficiente para cobrir o rombo -, obtido com corte de investimentos e contingenciamento de recursos, num círculo vicioso sem fim. 

Meirelles assevera que “não é possível que, para fazer a economia crescer mais, tomemos medidas de política monetária que levem a uma inflação maior” e que “é preciso um diagnóstico correto e preciso das causas que têm feito com que o Brasil não tenha crescido como em outros países e que possa vir a crescer”.

Volta a insistir, evidentemente, em manter a política dos juros reais mais altos do mundo. A queda acentuada e mais acelerada da taxa de juros para o país entrar na senda de um crescimento consistente já se tornou praticamente uma unanimidade em nosso país e apenas os monetaristas mais empedernido teimam em contestar.

Assim como a privatização que já foi devidamente jogada no lixo quando da realização do segundo turno, no segundo mandato do presidente Lula chegou a vez dos juros altos serem devidamente soterrados, permitindo assim que o Brasil possa completar o caminho do desenvolvimento iniciado por Getúlio com a Revolução de 30.

VALDO ALBUQUERQUE
 

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