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Nada é mais antidemocrático que os monopólios de mídia
“Liberdade de imprensa” para eles é a liberdade
de manipularem em
favor de seus interesses
Os monopólios de mídia, após a impressionante vitória do presidente Lula, dedicaram-se a uma
catadupa de berros, arengas, chiados, acusações ao governo, guinchos,
reclamações sobre os e-mails de leitores, xingamentos ao PT – ou, já que nem
todo mundo é petista, aos “lulistas” – e outras manifestações de equilíbrio e
serenidade.
FALSIFICAÇÃO
Eles estavam
acostumados a manipular e falsificar eleições. A colocar no governo quem lhes
agradasse ao paladar - elementos da cepa de Collor ou um poste eleitoral como
Fernando Henrique. Sempre, invariavelmente, em nome dos nobres e
desinteressados ideais de passar o dinheiro do Tesouro, a propriedade pública,
as riquezas naturais e, de resto, o Estado, para alguns bandidos estrangeiros.
Portanto, ainda não se conformaram com a vitória do presidente, ou seja, com a
sua própria derrota.
No entanto, toda
essa alaúza é feita em nome da “liberdade de imprensa”, que, como sempre, é
aquela que, na “Carta Capital”, Mino Carta bem definiu como “a liberdade das
empresas midiáticas deitarem e rolarem no esforço concentrado de servir o
poder, ou, por outra, a si próprias”.
Dizem eles que a
“liberdade de imprensa” está em perigo no Brasil. Realmente, é preocupante a
situação da liberdade de imprensa. E quem a está colocando em perigo não é o
governo, mas, exatamente, os monopólios de mídia. No Brasil, apenas 6 grupos
controlam 667 estações de rádio e canais de televisão. Três ou quatro deles,
com seus jornais e agências de notícias, determinam quase tudo o que sai
publicado na imprensa escrita, de norte a sul do país. Uma única rede de
televisão impõe o que quer à maior parte da população.
Mas os monopólios
de imprensa berram pela “liberdade de imprensa”. Não pela verdadeira, mas pela
liberdade de alguns barões manipularem as informações a bel prazer de seus
interesses políticos e econômicos. Pela liberdade de algumas prostitutas de
redação – como diria Balzac – serem promovidas a oráculos para propalar o que
há de mais reacionário e estúpido no mundo. Pela liberdade de excluir qualquer
opinião, idéia ou personalidade progressista de acesso aos meios de
comunicação. E, inclusive, bradam pela liberdade de mentir, como se viu
reiteradamente na “Veja”, incluindo a recente ficção sobre a Polícia Federal.
Naturalmente, não
há nada mais antagônico à liberdade de imprensa e à liberdade de expressão do
que essa súcia de falsários e seus mercenários. Para isso, só há um remédio: a
democratização dos meios de informação, a começar pelo acesso da imprensa
livre e independente à publicidade. Os monopólios de mídia querem monopolizar
todas as verbas publicitárias. Para isso são monopólios. Segundo sua exótica
opinião, eles devem ter toda a publicidade do governo que querem derrubar.
Realmente, acham que o governo tem a obrigação de bancar com dinheiro público
o golpe contra si mesmo.
Os critérios
publicitários hoje são feitos somente para beneficiar esses monopólios. Há
quem chame isso de “critérios mercadológicos”. O único problema é que não há
mercado onde três ou quatro, ou, vá lá, seis, controlam quase tudo. Portanto,
tais critérios existem apenas para manter o monopólio de mídia com dinheiro do
povo, e, ao mesmo tempo, para discriminar a mídia independente, a que se atém
à verdade, a que não é submissa à reação nem aceita ser um mero panfleto no
estilo da “Veja”.
Porém, desde antes
de 1964, não se via a imprensa reacionária em tal situação. Com todo esse
monopólio, não se pode dizer nem ao menos que o povo a ignorou: com maior ou
menor consciência, votou contra ela, aos milhões, dezenas de milhões, como
nunca se viu em toda a História do Brasil.
Não é fortuita,
aqui, a menção ao infeliz ano de 1964. Os monopólios atuais são crias da
ditadura. Que venham agora falar de “liberdade de imprensa”, seria somente uma
piada de mau gosto, se não fosse desarrazoado cinismo.
É verdade que
desde 1950 o Departamento de Estado já havia enviado ao Brasil o
ítalo-americano Victor Civita, “residente em Nova Iorque com passaporte tirado
em Washington”, como observou o notável publicitário e jornalista brasileiro
Genival Rabelo.
No entanto, foi
apenas sob a ditadura que, de editor das histórias de Walt Disney, ele passou
a dono de “Veja” e de 80% das revistas que se encontram nas bancas.
A Globo nem
existia até 1965. O máximo que Roberto Marinho conseguira até a ditadura, fora
editar um jornal reacionário que quase foi destruído pelo povo após o martírio
do presidente Getúlio Vargas. De repente, com uma certa ajuda do grupo
Time-Life, contra as leis brasileiras, mas protegido pela ditadura, a Globo
liquidou com as TVs nacionais: Excelsior, Rio, Continental e até a Tupi, de
Chateaubriand, desapareceram, quebradas por uma concorrência ilegal, isto é,
montada no dinheiro americano.
A “Folha de S.
Paulo” era apenas a mal acabada e provinciana “Folha da Manhã”, antes de se
tornar um boletim da Oban, DOI-CODI e outros antros de tortura e assassinato.
É essa gente que
vem agora gritar pela “liberdade de imprensa”, apesar do governo e das leis do
país mostrarem, em relação a eles, uma tolerância que, daqui a algumas
décadas, provavelmente será tida como inacreditável.
MEIA-DÚZIA
Mas, berrem o que
berrarem, o fato é que não há nada mais antidemocrático do que ter os meios de
comunicação do país dominados por meia-dúzia – e, aqui, não se trata de uma
figura de linguagem: são meia-dúzia mesmo, e, às vezes, menos. Não há nada
mais lesivo à Nação do que ter os meios de comunicação dominados por um
monopólio sempre a serviço dos interesses mais antinacionais, mais
antipopulares e, vale repetir, mais antidemocráticos. O charivari atual
promovido por esses monopólios só demonstra que a vitória de Lula é o início
da verdadeira liberdade de imprensa e de expressão em nosso país.
CARLOS LOPES
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