“Veja” ataca PF,
procuradora, falsifica a História e declarações de Marco Aurélio
Dando prosseguimento
à sua campanha de propalar que alguns de seus funcionários teriam sido alvo de
“constrangimentos” ao deporem na Polícia Federal, invenção já desmascarada
pelas autoridades competentes, “Veja” escalou seu redator-chefe, Mario Sabino,
para redigir um texto onde tenta se passar por vítima e alardear uma suposta
“ação coordenada do governo do PT para controlar jornais e revistas” e uma
“arbitrariedade” contra a imprensa.
Para tanto, como é
de costume, Sabino lança mão de manipulações, falsificações, autoprojeção e o
seu mau-caratismo contra a esquerda, contra o governo e contra integrantes do
PT. A primeira delas, a manipulação, ocupou um quarto das quatro páginas e
disserta sobre uma foto (ver acima) que teria sido falsificada por Stalin para
tirar o renegado Trotsky do lado da tribuna em que Lênin discursa em Moscou,
no ano de 1920. Não precisa muito para perceber que as fotos, que “Veja” diz
ser manipulação, não são as mesmas e foram tiradas em momentos distintos.
Portanto, não foi Stalin quem falsificou a foto, e sim a “Veja”.
O segundo ponto, que
mostra o seu mau-caratismo, diz respeito à falsificação da afirmação do
presidente em exercício do PT, Marco Aurélio Garcia, que teria dito, segundo
Sabino, que “o esquema do valerioduto (iniciado por Eduardo Azeredo, senador e
ex-presidente do PSDB) não existiu”. Marco Aurélio nunca afirmou isso, disse
apenas a verdade, ou seja, que o “mensalão” não existiu e era uma invenção de
Roberto Jefferson. Marco Aurélio afirmou que o que existiu “foi a utilização
do caixa 2 para campanhas eleitorais” e que “o mensalão” é “uma mera
construção jornalística”.
Um pouco antes de
dizer que a Polícia Federal é “frouxa” e que a procuradora Elizabeth Kobayashi
foi “conivente” com o suposto “constrangimento” dos jornalistas da “Veja”,
Sabino ataca novamente Marco Aurélio, projetando sua postura no presidente do
PT, dizendo que ele não queria que a imprensa fizesse uma “reflexão” e sim uma
“genuflexão”.
Sobre isso, seria
oportuno reproduzir um trecho de um artigo de Marcos Palhares, sem maiores
comentários, publicado na “Revista Fórum”, em 1º de dezembro do ano passado.
Segundo ele, Sabino é chegado a uma genuflexão e também cobra de seus
subordinados a mesma postura. “Em 10 de março de 2004, Carlos Graier, então
editor da “Veja”, assinou uma resenha elogiosa sobre o livro ‘O dia em que
matei meu pai’, de Mário Sabino, chefe de redação da revista. Escrever uma
crítica sobre uma obra do próprio chefe não serve como exemplo de isenção
(...) Mas o curioso foi que, duas semanas depois, Graier foi promovido a
editor executivo”.
Não bastando,
segundo Palhares, em abril de 2004, “Veja” demitiu o responsável pela
elaboração da lista dos livros mais vendidos. “Após a definição do novo
responsável pela lista, na edição de 7 de abril daquele ano, o décimo colocado
entre os mais vendidos na categoria Ficção era nada menos que ‘O dia em que
matei meu pai’”, relata Palhares, ressaltando que para isso vários livros de
ficção foram reclassificados em outras categorias para dar espaço ao livro do
chefe.
Além disso, Sabino
expressou também a sua boçalidade ao afirmar que a imprensa cubana, esta sim
livre dos monopólios, reproduziu, como “furo de reportagem”, uma manchete,
“Absolvido pela história”, em referência a uma famosa frase de Fidel Castro,
que, segundo ele, teria sido dita quando “sua revolução começou a matar gente
indiscriminadamente”. Antes de mais nada, quem matou “gente
indiscriminadamente” foi a ditadura de Fulgêncio Batista, que Sabino
sintomaticamente esconde, não faz nenhuma referência, e contra a qual Fidel e
seus companheiros lutavam. Na verdade, a frase em questão faz parte do famoso
discurso (A História me Absolverá) proferido por Fidel, então preso, no
“julgamento” montado pelo ditador Batista, após o ataque ao quartel de Moncada,
em 1953, em que o líder cubano encerra dizendo: “Condenai-me, não importa. A
História me absolverá”.
Não obstante, Sabino
afirmou ainda que a “arbitrariedade” cometida contra “Veja, isto é, o
depoimento de alguns repórteres, obteve uma “reação” “imediata e vigorosa” da
“sociedade”, reproduzindo em seguida o que a revista considera ser a
“sociedade”, ou seja, os editoriais da “Folha de S. Paulo”, “Estadão”, “O
Globo”, além, é claro, de frases de Bornhausen, Heráclito Fortes, Arthur
Virgílio e mais dois ou três desavisados.
ALESSANDRO RODRIGUES