Para Temer, o PMDB deve
fazer oposição se Lula não aceitar loteamento de cargos
Depois de apoiar a
candidatura derrotada de Geraldo Alckmin na última eleição, Michel Temer
agora insiste em atrapalhar a aproximação do PMDB com o PT e dificultar a
participação do partido no novo governo. Arvora-se em interlocutor dos
peemedebistas para divulgar exigências que estão mais para extorsão de cargos
do que para propostas sérias de integração do partido no governo. “A legenda
só deve participar de um governo, se for responsável por setores do próprio
governo”, exigiu o deputado. Assim, na sua opinião, se Lula não aceitar o
loteamento do seu governo, o partido deve fazer oposição. “Daí, eu creio que
seja uma coisa grandiosa politicamente”, prosseguiu Temer.
Mesmo tendo que
reconhecer que “a maioria dos governadores peemedebistas defende uma
aproximação com o governo Lula”, Temer procurou minimizar este fato dizendo
que esta postura dos governadores “é só para permitir a governabilidade”. Ou
seja, repete o discurso dos golpistas derrotados nas urnas. “Mas resta saber
se esta governabilidade será mediante a ocupação ou não de cargos”, prossegue
o deputado, não escondendo o descontentamento com a derrota acachapante de
seus aliados.
O fato é que a
trajetória política do deputado Michel Temer é marcada por traições aos
correligionários, manobras e conchavos com os inimigos do PMDB. Já na eleição
de 1994, traiu o ex-governador Orestes Quércia, candidato do partido à
presidência, e apoiou o tucano Fernando Henrique Cardoso.
Em troca, recebeu,
em 1995, o cargo de líder de FHC na Câmara Federal. Nesta condição, ajudou os
tucanos a promoverem o desmonte criminoso do Estado brasileiro, a implantar um
arrocho inédito sobre trabalhadores e aposentados, a promover a quebradeira da
indústria nacional e a implementar a escandalosa entrega do patrimônio público
aos monopólios estrangeiros.
Em 1998, como
presidente da Câmara, promoeveu a violência contra os convencionais do PMDB
para impedir a candidatura de Itamar Franco. Foi, como já dissemos, com a sua
ajuda que entraram no Congresso os bate-paus, que ficaram conhecidos como os
“amarelinhos”, contratados pelos governistas para agredirem os convencionais
peemedebistas. Seu objetivo, mais uma vez, era ajudar FHC, impedindo que o
PMDB disputasse o pleito.
Em 2002, na disputa
entre Lula e Serra, Michel Temer manobrou na calada da noite para impedir a
realização da convenção do partido. Mais tarde, em outra manobra, conseguiu
indicar a deputada Rita Camata na vice de Serra. Foi derrotado. Não desistiu e
continuou dividindo o PMDB. Envolveu-se com a oposição tucano-pefelista para
tentar impedir a reconstrução nacional, promovida pelo presidente Lula. Não
levou em conta nem mesmo o fato de que havia vários ministros do PMDB.
Na disputa pela
presidência da Câmara entre Aldo Rebelo e Thomaz Nonô, em 2006, Temer optou
pelo candidato do PFL, fazendo coro com a histeria golpista e deixando o
partido de fora da mesa. Agora em 2006, Temer continuou sabotando o PMDB.
Inventou a candidatura de Garotinho com o único objetivo de confundir o
partido e impedir, novamente, a candidatura de Itamar. Seu intento era, outra
vez, ajudar o PSDB.
Portanto, o que fica
claro é que essas “exigências” de cargos em “setores inteiros do governo” e
afirmações de que “só assim será uma coisa grandiosa politicamente”, nada
mais são do que entraves artificialmente criados por Michel Temer para, como
dissemos, dificultar a integração do PMDB com o novo governo que se inicia.
SÉRGIO CRUZ