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Ongs tentam acobertar crime dos EUA acusando Brasil de poluidor

“Ambientalistas” de Bush querem que países em desenvolvimento assumam a culpa pela criminosa política energética dos EUA que está provocando o superaquecimento da Terra

No bojo da “12ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas” que acontece na próxima semana em Nairóbi, no Quênia, as ongs “ambientalistas” que atuam no Brasil orquestram nos últimos dias um coro para cobrar “medidas drásticas” do governo brasileiro para reduzir a “poluição” e o “desmatamento”. Ao mesmo tempo, misteriosamente acobertam a ação criminosa dos EUA de maior poluidor do mundo e principal responsável pelas mudanças climáticas que estão ocorrendo no Planeta.

O Brasil não precisa, pelo Protocolo de Quioto, do qual é signatário, cumprir metas de redução de gases de efeito estufa simplesmente pelo fato de não chegar nem perto das emissões promovidas pelos países considerados os grandes poluentes. emissor” de gases de efeito estufa, medidas urgentes e definitivas para reverter o “problema”, principalmente na Amazônia. O desvairio só não vai além porque é desmascarado até pela própria ONU, que revela em seu relatório “Dados Sobre Gases Poluentes 2006”, que as emissões de dióxido de carbono - principal causa do efeito estufa - caíram cerca de 3% nos países em desenvolvimento entre 2000 e 2004, ao mesmo tempo em que continuam a aumentar na atmosfera.

Por isso, o estudo da ONU cobra dos países poluentes - e não do Brasil - que intensifiquem os cortes das emissões com a máxima urgência.

EUA X QUIOTO

Mas, apesar disso, as ongs, na maioria estrangeiras, resolveram cobrar do Brasil, enquanto “um grande

O que essas ongs “ambientalistas” não dizem é que, ao ignorar solenemente o Protocolo de Quioto, ou seja, o esforço da quase totalidade dos países do mundo para minimizar o desastre, os Estados Unidos se consolidam na liderança absoluta de maior poluidor mundial.

Recordistas na emissão de gases de efeito estufa, na década passada os EUA já produziam 25% dos gases oriundos da queima de combustíveis fósseis de todo o mundo. Segundo a própria Agência dos EUA para o Meio Ambiente, 86% da base energética do país funciona com a queima de carvão, principal fonte de dióxido de carbono (CO2) que, por sua vez é o maior responsável pelo superaquecimento da Terra. Além disso, detém a maior frota mundial de veículos e quase todo o sistema de calefação também tem como base a queima de combustíveis fósseis.

Essa situação só se agravou nos últimos anos, pois ao contrário do que foi estabelecido pelas metas de Quioto, segundo as quais os EUA deveriam reduzir suas emissões em 7% (em relação aos níveis de 1990) até 2012, o país só aumentou a emissão no período de Bush.

A não ratificação do Protocolo de Quioto pela Casa Branca se dá por escusos interesses econômicos e estratégicos, que vão desde o rabo mais do que preso do governo Bush com as grandes corporações petrolíferas e com o cartel energético norte-americano, passando pela determinação de não alterar um modelo energético cuja base se instalou sobre a biliardária queima de combustíveis fósseis e na dominação das reservas mundiais de petróleo.

Não faz muito tempo, funcionários da mais alta confiança de Bush foram flagrados envolvidos nas escandalosas fraudes dos balanços da Enron, multinacional de energia do Texas que faliu após suas negociatas com bilhões em ações infladas virem à tona. Num outro episódio, o representante dos EUA no IPCC (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, da ONU), o norte-americano Robert Watson, foi demitido do cargo pela Casa Branca após uma exigência feita através de memorando por um dos maiores cartéis mundiais de petróleo, a ExxonMobil (Esso).

Até mesmo o secretário de Energia dos EUA, Spencer Abraham, num recente relatório intitulado: “Política Nacional de Energia dos EUA e Segurança Energética Global” revela que “as projeções assinalam um crescimento do consumo total (de petróleo nos EUA) que vai de 98 quatrilhões de unidades térmicas britânicas (BTUs), em 2002, para 136 quatrilhões de BTUs em 2025”. E continua: “a demanda total por petróleo nos EUA poderá crescer de 20 para 28 milhões de barris por dia. Em conseqüência, as importações líquidas podem saltar de 53% para 70%, com muito desse petróleo vindo do Golfo Pérsico”. A partir dessa previsão, Spencer ressalta que é preciso “aumentar a produção de fontes convencionais internas, como as de petróleo e gás” até 2025.

Sobre isso, nada falam os “ambientalistas”.

ESFORÇO MUNDIAL

A idéia do que hoje é chamado Protocolo de Quioto nasceu na década de 80 quando, tendo como base estudos científicos  que apontavam para o aumento anual da temperatura média do Planeta, a ONU criou o IPCC (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas). Os estudos do IPCC geraram o documento intitulado “Convenção-Quadro da ONU Sobre a Mudança do Clima”, assinado por 175 países durante a realização da Eco-92, no Rio de Janeiro, em 1992.

Cinco anos depois, em Quioto, no Japão, governos de todo o mundo chegaram a um acordo sobre o motivo do superaquecimento global: a excessiva concentração de gases tóxicos na atmosfera provocava um fenômeno que ficaria conhecido como efeito estufa. Surgiu, então, um documento que obriga os países a reduzirem a emissão desses gases para, no mínimo, 5% abaixo dos níveis de produção de 1990.

Desde o início, Bush pessoalmente tratou de desqualificar o tratado, aceito pelos governos mundiais e elaborado com base nos estudos e relatórios de pesquisadores, biólogos, meteorologistas e outros cientistas de vários países. Segundo Bush, o Protocolo “carecia de solidez científica”.

Mas, para os demais países, era um alerta claro de que o Planeta estava em risco.

Dentro de um esforço mundial de cooperação, o líder da redução da emissão tem sido a Rússia que, desde que assinou o Protocolo, já reduziu em 32% suas emissões. Em 1996, a China lançou uma campanha para substituir seus sistemas industriais movidos a carvão por fontes não-poluentes e também vem cumprindo suas metas mesmo com crescimento econômico médio de 10% ao ano. Os 15 países da Comunidade Econômica Européia também estão intensificando esforços, já que respondem, juntos, por 24% das emissões.

SUPERAQUECIMENTO

Enquanto isso, os países em desenvolvimento, com índices ínfimos de poluição, são os que mais sofrem com o crime cometido pelos Estados Unidos. Nos últimos 40 anos, registrou-se aumento de quase 0,5º C na temperatura média do Planeta.

Segundo dados divulgados no mês passado pela própria Administração Nacional Atmosférica e Oceânica dos EUA, o buraco na camada de ozônio aumentou para 29,5 milhões de quilômetros quadrados em setembro último, e já se estende até a cidade chilena de Punta Arenas. Apesar de países próximos ao Equador terem uma maior exposição aos raios ultravioletas, as regiões austrais da Argentina e do Chile são as mais atingidas pelo nível cada dia mais elevado de radiação.

O melanoma maligno, uma forma de câncer de pele bastante grave, duplicou nos últimos anos no Chile segundo dados oficiais do governo. O aumento das queimaduras de pele no país também está sendo vinculado ao excesso de raios ultravioletas que estão chegando à superfície da Terra, provocando também cataratas e lesões oculares.

Além dos efeitos nos seres humanos, o meio ambiente começa a sofrer graves danos, segundo comprovam estudos de cientistas argentinos feitos no Parque Nacional da Terra do Fogo. Pesquisadores da Divisão Antártica do Departamento Ambiental Australiano, revelam reduções do fitoplâncton em até 65% na área do Atlântico Sul conhecida como “o celeiro da Antártida”, exposta em outubro último a um nível de radiação ultravioleta até seis vezes maior do que o normal para o período.

GISELE CARESIA 

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