Mundo repele tentativa de Bush de assassinar presidente Sadam
ONU, OEA, União Européia, Vaticano, partidos e líderes
políticos se manifestaram contra a sentença de morte ao presidente iraquiano
arranjada pela corte-farsa do invasor às vésperas da eleição nos EUA
Dois dias – exatamente dois dias - antes das eleições nos EUA, em que o fracasso
de Bush no Iraque é o assunto principal, o tribunal-farsa da ocupação anunciou
“sentença” à pena de morte para o aprisionado presidente iraquiano Sadam
Hussein, no assim-chamado “caso Dujail”.
Mesmo com o uso de
todo tipo de expediente – do assassinato de advogados de defesa à forjicação
de “provas” e testemunhas – a “corte” de Bush não conseguiu provar nada contra
Sadam, nem contra ninguém. Nem teria como. 148 elementos foram presos e depois
executados, não por serem “xiitas”, mas por tentarem matar a tiros o
presidente Sadam, em emboscada em Dujail em 1982, em conluio com os serviços
secretos iranianos, país então em guerra com o Iraque. Tratava-se de
integrantes da facção da quinta-coluna que atendia pelo nome de “Dawa” e
operava a partir de Teerã. A mesma que, duas décadas depois, voltou, no colo
dos marines.
Como qualquer outro
Estado – e ainda mais em se tratando de um estado revolucionário -, o Iraque
tinha todo o direito de prender, levar a julgamento, condenar e executar, de
acordo com as leis e a constituição iraquiana, aqueles que haviam preparado e
levado a cabo o atentado. Já o “deslocamento de moradores de Dujail para outra
região”, não difere do procedimento de diversos governos, no mundo inteiro, em
época de guerra. Por exemplo, na II Guerra Mundial, Roosevelt mandou internar
em campos os japoneses e descendentes de japoneses. Quanto às acusações de
“assassinato de crianças” de Dujail, “violação de mulheres” e “tortura” são
pura projeção dos crimes da CIA, das taras americanas e de Abu Graib. Os
iraquianos não são assim.
Quanto ao mais, o
“tribunal” de Bush é uma fraude de cabo a rabo. Foi instaurado pelo então
vice-rei do Iraque, Paul Bremer, violando os Acordos de Guerra de Genebra, que
proíbe a criação pelo invasor de tribunais. Depois, foi travestido de
“iraquiano”, isto é, colaboracionista. Mas não podia passar disso: a base do
direito islâmico é a Sharia, muito diferente do atrasado direito anglo-saxão.
Por trás da fachada,
uma equipe de juristas da CIA comanda o “julgamento” de uma sala oculta e dá
as instruções aos fantoches. O “tribunal” foi preparado vários anos antes da
invasão. Juízes, advogados e promotores foram treinados em Londres. Bush
gastou mais de 100 milhões de dólares na farsa. Mas os juristas de fancaria
não agüentam meia hora diante de Sadam e da verdade.
O “tribunal” de Bush
também inovou em matéria de “procedimentos jurídicos”. No dia seguinte da
primeira “audiência”, um advogado de defesa foi emboscado e assassinado. O que
se repetiu com mais dois e outros sete auxiliares. Só o chefe da equipe de
advogados escapou de uma dúzia de atentados. O primeiro juiz foi afastado por
decisão do governo, assim como seu sucessor direto. A defesa não pôde sequer
apresentar seu pronunciamento final por escrito e o “juiz” Abdel Rahman
decidiu encerrar a apresentação das testemunhas de defesa, deixando um grande
número sem serem ouvidas.
Testemunhas de
defesa foram presas até dentro do “tribunal” e torturadas para mudar seu
depoimento. Já as “testemunhas” de acusação se apresentavam escondidas por uma
cortina, lendo o que lhes era mandado e com voz distorcida eletronicamente.
Gente que na época dos fatos tinha quatro anos dava “testemunho”. Até morto
mandou depoimento. Tinha juiz encapuzado no estilo dos tribunais Fujimori.
Todo tipo de falsificação servia como “evidência” e a defesa não tinha acesso
às supostas provas. O chefe do “comitê de ligação com a defesa” era um cidadão
americano. Foram tantas as ilegalidades e arbitrariedades que até organizações
notoriamente contra Sadam, como a Anistia Internacional e o “Human Rights
Watch” admitiram que o julgamento é uma fraude.
Bush já gastou mais
de 100 milhões de dólares no tribunal-farsa e parece que não vai servir para
nada. Esta semana a novidade, segundo os jornais dos EUA, era a montagem de
postos de controle dentro da Zona Verde – o QG do invasor, cujo cerco
o Baas anunciou estar acelerando. A “sentença” de pretensão de assassinato de
Sadam só vai levar mais gente às ruas por todo o Iraque, ampliando a luta
armada da Resistência, o isolamento dos invasores e dos lacaios. Ir para as
ruas, com toque de recolher e tudo, com cartaz de Sadam, agora é coisa de todo
dia no ocupado Iraque, passando por cima do toque de recolher. Está na hora da
Halliburton lucrar, investindo no promissor negócio dos sacos pretos de
plástico – aqueles que servem para mandar de volta os EUA, mortos, os soldados
que a máfia texana insiste em manter lá.
ANTONIO PIMENTA