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Condenação a Emir Sader transforma em réu “defensor dos agredidos”, diz manifesto

O acadêmico e jornalista Emir Sader está sendo condenado por ter criticado em artigo declarações racistas do senador Jorge Bornhausen (PFL-SC). Mais de cinco mil personalidades brasileiras e internacionais já assinaram o manifesto em repúdio à condenação

Mais de 5 mil personalidades brasileiras e estrangeiras, entre escritores, cientistas, professores universitários, teatrólogos, cineastas, compositores, intérpretes e jornalistas já assinaram o manifesto em solidariedade ao acadêmico da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), escritor e colunista da Carta Maior, Emir Sader, em repúdio à condenação sofrida por ele por processo de injúria movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC).

Emir Sader foi condenado à perda de seu cargo de professor na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e a um ano de detenção, em regime aberto, conversível à prestação de serviços à comunidade, pela 11ª Vara Criminal de São Paulo, com acusação de “crime”, por tratar Bornhausen de “racista” no artigo “O ódio de classe da burguesia brasileira”, publicado na Carta Maior em 28 de agosto do ano passado. Marcelo Bettamio, advogado de Sader, disse que irá recorrer da decisão, que só passa a valer após o trânsito em julgado da sentença.

Em seu artigo, Emir Sader se referia a uma manifestação do senador feita dois dia antes, quando, ao ser questionado em um evento com empresários se estava desencantado com a crise política, Bornhausen respondeu: “Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos”.

“Ele merece processo por discriminação, embora no seu meio - de fascistas e banqueiros - sabe-se que é usual referir-se ao povo dessa maneira - são “negros”, “pobres”, “sujos”, “brutos”, - em suma, desprezíveis para essa casa grande da política brasileira que é a direita - pefelista e tucana -, que se lambuza com a crise atual, quer derrotar a esquerda por 30 anos, sob o apodo de “essa raça”, afirmou Emir em seu artigo. 

CONSTITUIÇÃO 

Na apresentação de sua defesa o advogado de Emir Sader diz que ao usar o termo racismo, o colunista “não visou ofender a honra nem subjetiva nem objetiva do senador, mas sim fazer uma crítica a um parlamentar que fez uma declaração pública, perante a mídia, com termos preconceituosos”. “O prof. Emir Sader apenas exerceu o direito à livre manifestação e à crítica, salvaguardado na Constituição”, disse o advogado.

Como afirma o manifesto em solidariedade a Emir Sader, a sentença “é um despropósito: transforma o agressor em vítima e o defensor dos agredidos em réu”, além de ser “uma ação que visa intimidar e criminalizar o pensamento crítico”.

Entre os mais de 5 mil signatários do documento estão nomes como Antonio Candido, Luiz Fernando Veríssimo, João Cândido Portinari, Augusto Boal e Eduardo Galeano.  Abaixo, a íntegra do manifesto.

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