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Mostra de Botero sobre Abu Ghraib é censurada por museus dos EUA O artista colombiano Fernando Botero, conhecido internacionalmente pelo seu estilo de pintar figuras com corpos volumosos e alegres, deu um tom diferente às suas obras no ano passado. Com uma coleção de 45 quadros, Botero denunciou as barbaridades das torturas cometidas no Iraque por soldados norte-americanos na prisão de Abu Ghraib, reveladas por fotos que chocaram o mundo. A série do pintor, Coração Sangrante, foi exposta em museus públicos de vários países da Europa, como na Itália, no Palácio Veneza, de Roma, e no Wurth Museum de Kunszelsau, na Alemanha. Mas ao chegar nos Estados Unidos, que adoram se posar de país livre e democrático, a série ‘Abu Ghraib’ foi censurada. Depois de seis meses de procura por museus, o artista foi recusado por diversas instituições, restando um espaço numa galeria na ilha de Manhattan, a Marlborough Gallery. Fato estranho é que Fernando Botero tem uma retrospectiva de suas obras agendada para o ano que vem, que passará por dez museus nos EUA. Na retrospectiva, a série “Abu Ghraib” não fará parte. “Em toda a Europa as pessoas me disseram que ficaram mais impressionadas com a exposição do que com as fotos”, diz Botero. “Em Nova York, supostamente onde temos liberdade de expressão, a galeria tem recebido reclamações e ameaças”, disse o artista, que desde que iniciou os trabalhos da coleção, vem denunciando as torturas no Iraque. “A política americana precisa ser condenada”, afirma. “Ela está se aproximando à técnica de governos nazistas”. Contando como foi a decisão de retratar as imagens, Botero diz que surgiu da “ira que senti e que o mundo sentiu por este crime cometido pelo país que se apresenta como modelo de compaixão, de justiça e de civilização”. Fernando Botero, que se dedicou por sete meses a esse trabalho, denunciou ainda que Abu Ghraib “é um crime que viola a Convenção de Genebra sobre o trato a prisioneiros”. |