|
1
2 3
4 5
6 7 8|Índice|
Biblioteca|Assinatura|Expediente|Cartas|Não tropece na Língua |
|
Sindicato de Sidrolândia-MS quer intervenção do Ministério para “pôr fim ao ciclo de impunidade da multinacional” Sebastiana Alves de Jesus é a mais nova vítima da truculência da multinacional norte-americana Cargill. Aos 36 anos e mãe de dois filhos, a trabalhadora do frigorífico avícola de Sidrolândia, no interior do Mato Grosso do Sul, foi demitida por “justa causa” ao comunicar a empresa que encontrava-se com nódulos nos seios. “No ultrassom do seio esquerdo encontraram dois nódulos, no do direito mais cinco. Assim que comuniquei o ocorrido e ver o que poderia ser feito, meu supervisor, o Natalício, pediu para que esperasse lá fora. Passou um tempinho e ele me disse que era para assinar o papel de dispensa, porque estava demitida, já que a empresa não precisava mais do meu serviço. Achei aquilo uma completa falta de humanidade, que a gente nem tem palavras para explicar”, desabafou Sabastiana. Como funcionária, ela poderia usar o plano empresa da Unimed. Demitida, de que jeito iria enfrentar a peregrinação por exames clínicos, consultas, pagar os medicamentos e ainda ficar sem o salário de R$ 430,00? Trabalhando duro há um ano e dois meses na desossa de coxa do frigorífico da Seara Cargill, ela conta que começou 2006 atormentada por fortes dores. Não aguentava o ritmo de trabalho intenso e as coxas se acumulavam, pois “o braço não vencia, tamanha era a dor”. Mesmo diante do avanço da enfermidade e da impossibilidade de cumprir com as metas cada vez mais abusivas do ritmo ditado pela nórea – a correia que carrega o frango – Sebastiana não foi afastada, mas colocada para arrancar pele. “Durante uns 15 dias fiquei puxando peito, amaciando com os dedos polegares até fazer a carne sair do osso. Isso amortece as mãos todinhas, que ficam formigando”, relatou, reclamando da intensidade das dores. Trabalhando a base de remédio, a funcionária só parou mesmo para fazer o exame, que constatou os nódulos.
Para Luciene Lopes
Ferreira, secretária-geral do Sindicato, é preciso que a Justiça aja rápido
para garantir a saúde e a segurança da funcionária. “Para se livrar do
problema e pensando que pode tudo, a Cargill demitiu Sebastiana por justa
causa e agora terá de responder na Justiça por mais esta agressão. Precisamos
que o Ministério Público e a Delegacia Regional do Trabalho autuem e punam de
forma exemplar a multinacional, a fim de que abusos como este parem de
ocorrer, pois o trabalhador não pode ser tratado como objeto e jogado na rua
como uma máquina quando quebra”, acrescentou. |
|
|