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S.Paulo: obras paralisadas por falta de planejamento

Urbanização do Parque D.Pedro, recapeamento das marginais, reforma da Biblioteca Mário de Andrade e recuperação da Cracolândia estão entre as obras paradas ou que sequer foram iniciadas

Alegando mudança de prioridade, alteração no projeto e erro de cálculo na previsão dos recursos, obras como a reurbanização do Parque Dom Pedro, o recapeamento das marginais Tietê e Pinheiros, a recuperação da Cracolândia e a restauração da Biblioteca Mário de Andrade foram paralisadas pelo governo do Estado de São Paulo e pela Prefeitura da capital paulista por falta de planejamento.

É o que informa a Secretaria de Transporte do Estado de São Paulo que, em pleno mês de agosto, já estourou seu Orçamento gastando mais do que o previsto para 2006. Segundo o sistema de acompanhamento do Orçamento, o valor para gastos já chega a R$ 659 milhões, para uma previsão orçamentária de R$ 633 milhões. Ou seja, R$ 26 milhões a mais do que o previsto - um terço do valor orçado para o recapeamento das marginais, cujas obras foram paradas por falta de verba, segundo informação do governo do Estado.

Assim, o recapeamento das marginais dos rios Pinheiros e Tietê não tem data para ser retomado por falta de recursos. A segunda fase da reforma, dessas que são as principais vias da capital, deveria ter começado em agosto, mas faltam os R$ 79,2 milhões que já foram aprovados no Orçamento deste ano. Segundo dados da Prefeitura, nas marginais circulam, em média, 1,1 milhão de veículos diariamente, sendo 700 mil na marginal Tietê, dos quais 165 mil são caminhões.

Dos 47,2 km das duas marginais, 32 km continuam com buracos, ondulações, desníveis e asfalto soltando, que causam muitos transtornos à população. Apesar da verba para a obra ter acabado antes da obra, a Secretaria dos Transportes preparou uma campanha publicitária com 4 milhões de panfletos e dezenas de faixas para alertar o motorista sobre as péssimas condições das pistas.

PARQUE D. PEDRO: PROJETO ABANDONADO

No caso do Parque D. Pedro II, a obra não parou porque o recurso acabou antes da hora como nas marginais, mas foi misteriosamente interrompida apesar de estar com financiamento já garantido. Com o abandono pela Prefeitura, mendigos estão acampando nos locais onde seriam feitos os jardins, viadutos estão inacabados e a sujeira se acumula por toda a região central da cidade.

Há 18 meses, ou seja, logo que mudou a gestão, a prefeitura de São Paulo abandonou o projeto de reforma do Parque D. Pedro II, que já tinha a verba de R$ 40 milhões autorizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O projeto, que estava aprovado e sendo tocado desde 2004 - elaborado pelo paisagista Fernando Chacel, discípulo de Burle Marx - fazia parte do projeto de revitalização do centro. A área desvalorizada e violenta, que é cortada por quatro viadutos, no coração do São Paulo, está cada dia mais perigosa para os pedestres e motoristas.

MÁRIO DE ANDRADE: REFORMA SUSPENSA

Uma das mais tradicionais bibliotecas do Brasil, a Mário de Andrade, também espera por uma reforma que não aconteceu até agora. Por conta disso, a estrutura do prédio se encontra com rachaduras e infiltrações em vários locais, causando danos em grande parte do acervo. A precariedade do prédio é tanta que os jornais catalogados que estavam na biblioteca foram transferidos para a biblioteca Presidente Kennedy, na Zona Sul da capital.

Na gestão passada, foi aprovado um projeto para reforma, orçado em R$ 20 milhões, com recursos do Banco Mundial. Engavetada pela administração Serra, a proposta foi substituída por outra, que até agora não saiu do papel, enquanto os problemas se agravam. A biblioteca também enfrenta a falta de espaço. “Há livros da das décadas de 30 e 40, maior preciosidade da biblioteca, que precisam ser catalogados e não há onde colocá-los”, diz Luís Francisco Carvalho, atual diretor da Biblioteca Mário de Andrade.

Até mesmo a segurança do acervo está comprometida, como ocorreu com o roubo de livros divulgado na semana passada.

CRACOLÂNDIA: DOIS ANOS E NADA

A prefeitura também não implementou até agora, quase dois anos após a nova administração ter assumido, o Projeto Nova Luz, que previa a recuperação da área conhecida como Cracolândia. A proposta previa a desapropriação de 750 imóveis localizados numa área de 105 mil metros quadrados, formada pelas Ruas Mauá, dos Andradas e Avenida Cásper Líbero, no bairro da Luz. O local foi declarado de utilidade pública em setembro de 2005. “Vamos desenvolver um projeto urbanístico para a revitalização da região com a desapropriação de imóveis, para que sejam mais bem aproveitados”, anunciou o subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, no ano passado.

A intenção era demolir os imóveis e construir na área um avançado centro de comércio e serviços, com escolas, agências de publicidade e shopping centers. A promessa não foi cumprida e o que se vê hoje é a expansão do consumo e do tráfico de craque, droga que batizou a região, para outras ruas do centro. Usuários são vistos fumando craque em plena luz do dia e traficantes vendem a droga sem serem incomodados.

Outra proposta da atual administração, de criar o Museu da Criança na região para a recuperação dos menores usuários de drogas, até agora também ficou só na conversa.

Se não estão totalmente paradas, outras obras importantes andam a passos de tartaruga, como é o caso das avenidas do Estado e da Ricardo Jaffet, complicando o trânsito na capital paulista.

GISELE CARESIA/JOSI SOUSA 

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