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Sara Flounders, diretora da organização norte-americana IACenter, denuncia a farsa de Bush contra Darfur: ‘Sudão rechaça uso da ONU por EUA para intervenção colonial’ “País sabe que EUA usaram resolução da ONU de 1990 para destruir o Iraque”, afirma a ativista "Os esforços norte-americanos para estabelecer a ocupação e a dominação colonial sofreram novo revés no dia 4 de setembro. O governo do Sudão recusou que as Nações Unidas deslocassem tropas para a região oeste de Darfur”, afirma Sara Flounders, dirigente da organização norte-americana International Action Center, fundada e presidida pelo ex-secretário de Justiça dos EUA, Ramsey Clark. “No dia 1º de setembro, os EUA e a Inglaterra passaram a Resolução 1701 através do Conselho de Segurança da ONU. Esta pedia o envio de mais de 20,000 soldados da ONU para assumir o lugar que é atualmente de 7,000 da União Africana. O conselheiro do presidente, Mustafá Osman Ismail, respondeu que o governo do Sudão rejeitou a transição, das Forças de Segurança Africanas para uma maior presença internacional, pois o objetivo da ONU é ‘uma mudança de regime’”, acrescenta a dirigente do IACenter. “A Rússia, a China e o Qatar se abstiveram do voto do conselho de Segurança da ONU e o criticaram, embora nem a China nem a Rússia exerceram seu poder de veto, mas inseriram na resolução uma cláusula que estipula que o ingresso das tropas da ONU ocorreria ‘nas bases da aceitação do governo sudanês’”. “Uma campanha de pressões internacionais para forçar o Sudão a aceitar forças estrangeiras está sendo organizada pelos EUA”, alerta. SANÇÕES “O Sudão tem uma boa razão para suspeitar de qualquer resolução publicada pelos EUA e Inglaterra. A Inglaterra é a ex-metrópole do Sudão e sempre se opôs à soberania sudanesa. Quanto a Washington, uma mudança de regime – e a deposição do atual governo – está tanto nas agenda tanto dos republicanos quanto dos democratas. Sanções norte-americanas, assim como restrições aos investimentos, trocas e créditos têm estado em vigor há mais de uma década. Em 1998, durante a administração de Clinton, 17 mísseis cruzeiros norte-americanos destruíram a fábrica de remédios de El Shifa, a maior fonte de remédios básicos que o povo sudanês desesperadamente necessita”, destaca. “O Sudão está ciente de como os EUA usaram uma resolução de 1990 da ONU para realizar ataques à bomba que destruíram a infra-estrutura do Iraque. Os 13 anos de sanções sobre o Iraque, promovidas pelo governo de Washington resultou na morte de mais de 1.5 milhão de iraquianos”. “Os EUA ocupam a Coréia do Sul por mais de 50 anos sob uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. Mais de 4 milhões de Coreanos morreram na Guerra da Coréia realizada sob a bandeira da ONU”. “O Sudão alertou que irá atacar qualquer tipo de força que invada o país sem esse respaldo. O Sudão é o maior país da África – do tamanho do oeste europeu. A região oeste de Darfur é maior do que o Iraque. O vice-presidente do Sudão, Ali Osman Taha, jurou que seu país iria manter sua oposição a uma força da ONU em Darfur e reconheceu o Hizbollah como um modelo de resistência. ‘Nós temos opções e planos para confrontar a intervenção internacional’, afirmou. O mundo todo sabe também que no Iraque, Afeganistão e agora no Líbano, a resistência determinada não pode ser vencida”. “Uma campanha internacional para pressionar o Sudão tem entre seus patrocinadores políticos aqueles mesmos que apoiaram a invasão americana ao Iraque. Uma campanha com grandes fundos para ‘salvar Darfur’ foi organizada para o dia 17 de Setembro no Central Park, em Nova Iorque, para exigir que a ONU envie tropas ao Sudão. A marcha é uma tentativa consciente de dividir o movimento contra a Guerra no Iraque, tentar ‘demonizar’ ainda mais o povo árabe e muçulmano, assim como tentar vender uma nova guerra por ‘esforços humanitários’”. “Alguns dos grupos que estão atualmente expressando grande preocupação com os refugiados de Darfur apoiaram disfar-çada ou ativamente dos bombardeios que criaram 1 milhão de refugiados no Líbano. Eles estavam entre os principais patrocinadores da invasão e ocupação por parte dos EUA ao Iraque. O presidente Bush se encontrou com esses organizadores do ‘Salvem Darfur’ e agradeceu seus esforços. A campanha é uma iniciativa principalmente de evangélicos direitistas e de importantes organizações sionistas. O jornal ‘Jerusalém Post’, do dia 27 de abril, em um artigo intitulado ‘Judeus norte-americanos lideram o planejamento da campanha de Darfur’, descreveu o papel proeminente de organizações sionistas em uma marcha similar em Washington, dia 30 de abril”. “A alegação de genocídio em Darfur foi primeiramente feita pelo general Collin Powell em 2004, quando ele ainda era secretário de estado. Apesar dos esforços da mídia corporativa para simplificar o conflito como uma luta de invasores árabes contra o povo africano, é importante saber que todos os grupos envolvidos no conflito são africanos, nativos da região, e todos esses grupos são muçulmanos sunitas. O Árabe é a língua mais comum, juntamente de outras centenas de dialetos locais. O Sudão tem uma das populações mais etnicamente diversifica-das do mundo. Mais de 400 grupos étnicos”. “Uma grave crise humanitária está se desenvolvendo na região por causa de mais de uma década de seca no norte da África. A luta pelas escassas reservas de água colocou em guerra os pequenos proprietários rurais com as tribos nômades”. RESERVAS “O Sudão possui vastas reservas minerais e grande riqueza. A política de Washington em relação ao Sudão se limitou em inflamar antagonismos regionais, tanto no sul como no oeste, para que as corporações norte-americanas possam tomar o controle do petróleo, ouro, urânio e cobre”. “Bush usou o termo intolerante de ‘Fascismo Islâmico’ e sua declaração de uma terceira guerra mundial interminável contra países lutando para defender sua soberania nacional e encontrou resistência no Iraque, Afeganistão e Líbano. Suas novas ameaças contra a Síria, Irã, Somália e Sudão fará mais países pensarem duas vezes antes de apoiar as bases da dominação corporativa mundial norte-americana”, conclui Sara Flounders. |