1 2 3 4 5 6 7 8|Índice| Biblioteca|Assinatura|Expediente|Cartas|Não tropece na Língua
Envie sua carta: horadopovo@horadopovo.com.br | hp@webcable.com.br


Sen. Ted Kennedy denuncia mentiras da Casa Branca sobre Iraque e ataques a NY:

“Bush faz uso vergonhoso do 11/9 para manter a guerra”

A denúncia do senador Edward Kennedy capta a essência do discurso de Bush: manipular os sentimentos do povo americano; chantageá-lo para tentar dar uma sobrevida à sua fracassada aventura no Iraque e à pilhagem do petróleo

A encenação de Bush no dia dos cinco anos do ataque ao World Trade Center foi repelida pelo mais destacado senador democrata, Edward Kennedy, irmão dos assassinados John e Robert. Bush “deveria se envergonhar de usar um dia nacional de luto para ir à TV fazer um discurso destinado, não a unir o país e homenagear os caídos, mas a buscar suporte para uma guerra no Iraque que ele admitiu que não tinha nada  a ver com o 11 de Setembro”, afirmou o senador.

A denúncia de Kennedy conseguiu captar a essência do discurso de Bush. Manipular os sentimentos do povo americano, chantageá-lo, para tentar dar uma sobrevida à sua fracassada aventura no Iraque e à pilhagem do petróleo. Atualmente, toda a semana aparece mais alguém nos EUA atestando que “a guerra está perdida” – alguns, de alta patente. Até mesmo nas “pesquisas” de encomenda, aparece que a maioria do povo americano quer o fim da guerra, a retirada, e considera Bush um mentiroso.  

CINISMO 

“Nesta noite solene”, apelou o homem que abandonou Nova Orleans à própria sorte, buscando, de todo jeito, fazer com que o povo dos EUA se identificasse com seus crimes no Iraque e com sua guerra. “Para muitos dos nossos cidadãos as feridas daquela manhã ainda estão abertas”, repetiu a frase que alguém escreveu. Falou dos funcionários de escritórios das torres gêmeas, bombeiros, pessoal do Pentágono, passageiros do vôo 93. Puro cinismo. A guerra contra o Iraque já estava sendo preparada antes do 11 de Setembro; a motivação, roubo das maiores reservas de petróleo do mundo. O Afeganistão, um degrau, um pretexto: ali estava em jogo um oleoduto e, mais geral, o petróleo do Mar Cáspio. Já Bin Laden, continua livre e a Resistência afegã anda enchendo de chumbo os marines e a Otan, que se meteu de vontade própria na armadilha de Bush.

Após quatro anos mentindo - e 21 dias depois de ter repetido que que Sadam tinha “vínculos” com a Al Qaeda -, afinal Bush confessou, depois de ser desmentido até pela CIA e a comissão de inteligência do senado. Daquele jeito invertebrado. “Frequentemente sou indagado porque nós estamos no Iraque já que Sadam Hussein não era responsável pelos ataques do 11 de Setembro”, disse Bush no discurso. Repetindo: “já que Sadam Hussein não era responsável pelos ataques do 11 de Setembro”.   

“URÃNIO DO NÍGER” 

Então, não foi o “combate ao terror” que levou à invasão, nem havia porque o Iraque ser “o centro da guerra contra o terror”. A hipócrita “justificativa” de Bush é que o regime de Sadam “era uma clara ameaça” – mas está provado que não havia “armas de destruição em massa” e que o “urânio do Níger” não passava de um embuste, como denunciou o embaixador Joseph Wilson, o que resultou na delação, pela Casa Branca, de sua esposa, Valerie Plame, da CIA. A mantra dos “vínculos de Sadam com a Al Qaeda” foi repetida mais de vinte vezes naquela pantomima de Colin Powell no Conselho de Segurança da ONU um mês antes da invasão.

Se não foi “combate ao terror”, o que é essa guerra de Bush, que ele cunhou de “pré-emptiva”? Como o Iraque não atacou os EUA, nem tem, como agora Bush confessa, nada a ver com o 11 de Setembro, e ainda o Conselho de Segurança da ONU recusou dar chancela à invasão ianque, trata-se, portanto, de uma guerra de agressão. O crime de guerra número 1 desde Nuremberg. Se não é “centro da guerra ao terror”, de que é “centro” o Iraque invadido? A conclusão não é difícil: da guerra do império pelo petróleo alheio.  

PETRÓLEO ÁRABE 

Como calhou que boa parte do petróleo do mundo está em terras habitadas pelos árabes e islâmicos em geral, agora os Rockefellers, Cheney e o Pentágono descobriram essa súbita necessidade de “remodelar o Oriente Médio” e de instaurar a democracia a la Abu Graib. Ou, como disse Clinton sobre o Afeganistão, a “democracia hit-and-run”. A eficácia da democracia que Bush levou ao Iraque pode ser apreciada no lotado necrotério de Bagdá.

Para manter sua guerra, Bush ameaçou abertamente o povo americano de que, se ele, o carniceiro, for derrotado, “eles virão atrás de nós”, o futuro dos nossos filhos será decidido “nas ruas de Bagdá”. Bobagens semelhantes eram ditas também na guerra do Vietnã, como a “teoria dos dominós”; o mundo não acabou e os invasores bateram em retirada, levando com eles uma tralha colaboracionista.  

MÁFIA TEXANA 

Na safra de hoje, há besteiras semelhantes, como a de “uma rede global de extremistas” que têm como objetivo criar um “império radical islâmico”, um “Oriente Médio controlado por estados terroristas”. Logo o império ianque -  na sua expressão condensada de máfia texana - com centenas de bases militares no mundo inteiro, milhares de ogivas nucleares e um orçamento militar de quase meio trilhão de dólares, alertando o planeta sobre um “império” ... Quanto ao Oriente Médio “controlado por estados terroristas”, deve ser uma inocente menção do sagaz Bush ao aliado Israel. E quem tomou a iniciativa de montar uma “rede global” de “radicais islâmicos” foi a CIA, com a ajuda de serviços secretos satélites, em nome do “combate ao comunismo”.  

“CIVILIZAÇÕES” 

Não podia faltar no discurso de Bush sua referência ao “choque de civilizações”, uma invenção de um picareta a serviço do roubo do petróleo árabe em nome da “civilização”. O “choque” que há é entre os salteadores de petróleo e a Resistência iraquiana, entre a soberania e a invasão. Mas os civilizados são as hordas de Bush: tortura em Abu Graib, estupros, armas químicas contra Faluja, esquadrões da morte em Bagdá, prisões em massa, chacinas de indefesos civis. Trata-se, asseverou o neto de nazista e oil-boy, do “confronto ideológico decisivo do século 21”. Como para os racistas, árabe, muçulmano não é nem gente, o carniceiro chegou à mais recente definição: sua guerra “é na verdade um confronto pela civilização”, que inclui, claro, Guantánamo, os centros secretos de tortura, o gram-peamento de telefones e e-mail dentro dos EUA, a fraude eleitoral e outros portentos. Deve estar achando suave a trilha de Johnson e de Nixon.  

ANTONIO PIMENTA

Voltar

Paginas: 1 2  3  4  5  6  7  8