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ONU e União Européia exigem de Bush fim aos antros de tortura da CIA A Organização das Nações Unida (ONU) e líderes da União Européia (UE) criticaram o governo dos EUA depois que o de Bush admitiu que a CIA mantém prisões secretas fora dos Estados Unidos. Bush também disse que manterá os presídios que não dão satisfação a nenhum tribunal de Justiça e onde, assim como em Abu Graib e Guantánamo, são realizadas torturas e humilhações aos presos, em sua maioria árabes muçulmanos. Os antros de tortura da CIA - cuja existência tem sido exaustivamente denunciadas - agora confirmadas por Bush estão sendo mantidas em locais secretos, apesar de o Departamento de Estado ter negado sua existência por mais de um ano. Há 12 meses, até o jornal Washington Post teve que divulgar a existência dessa parte das atividades criminosas da CIA - prisões clandestinas e vôos ilegais para transporte de presos seqüestrados, notada-mente após a invasão do Afeganistão. Um dia antes, Bush também havia admitido - e defendido - o uso das torturas, já amplamente comprovadas pelos vídeos e pelas fotos da prisão iraquiana de Abu Graib, ao fazer apologia “dos procedimentos alternativos” usados pela CIA. Bush também fez escandaloso pedido ao Congresso: “Peço ao Congresso que deixe claro que os terroristas não podem usar as Convenções de Genebra como base para processar o nosso pessoal nos tribunais norte-americanos”. O artigo 3º da Convenção de Genebra considera crime de guerra a mutilação, o tratamento cruel, a tortura e a humilhação de prisioneiros. Na sede da ONU em Genebra, a Alta Comis-sária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Louis Arbour, exigiu que a Casa Branca “abolisse” as prisões ainda mantidas pela CIA, e alertou que a prática é considerada como uma violação do direito internacional. “Se somos instados a desistir de nossos direitos para nos protegermos do terror, que proteção teremos no final?”, questionou o secretário-geral da entidade Kofi Annan. O primeiro-ministro espanhol, José Zapatero, afirmou que a manutenção das prisões clandestinas “é incompatível com o Estado de Direito”. A UE exigiu que seus governos-membros que abrigam os presídios confessem e revelem sua localização.
Já a deputada
britânica da UE, Sarah Ludford, afirmou que “Bush não expôs apenas suas
mentiras anteriores, mas também ridicularizou os governantes europeus que
caracterizaram de infundados nossos temores (das prisões secretas)”. Até a
chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que “o uso de prisões como essas não é
compatível com o que entendemos como Estado de Direito”. |