Capitalismo selvagem
A praga do latifúndio foi mais nociva do que a seca no
Nordeste mineiro. Os latifundiários, na ganância do lucro fácil devastaram as
matas, secaram os córregos, diminuíram o volume das águas dos rios e
ribeirões. Com isso, expulsaram os trabalhadores do campo. Jampruca nos anos
50, 60 e 70 era um distrito promissor. Havia ao seu redor pequenas
propriedades. A fartura de milho, arroz e feijão era uma coisa, principalmente
em épocas de safras, isso sem falar em comércio de frangos caipiras e de
suínos. Mas os latifundiários, encostando devagarzinho, incentivaram pequenos
fazendeiros a semear sementes de capim-da-colônia, popularmente conhecido por
“capim-colonhão”, para depois comprar a preço de banana. Jampruca hoje é uma
terra arrasada pelos proprietários do latifúndio, todos eles desfrutando o
conforto das cidades de Governador Valadares, Teófilo Otoni e Itambacuri. Em
setembro de 2004 voltei a Jampruca para matar saudade da terrinha que foi de
meu pai. Não existe mais o cafezal, o laranjal e o abacateiro. Hoje é tudo
capim, e o pior, capim seco. Cito Jampruca como exemplo de uma enorme região
seca. O intenso comércio de Jampruca acabou. Em um domingo não achei um hotel,
um restaurante. Nem pão consegui. O que aconteceu no Nordeste mineiro tem o
nome de capitalismo selvagem.
Lair Estanislau Alves – Belo Horizonte (MG)
Reaparelhar a Marinha
Muito bom saber da disposição do Comandante da Marinha de
defender o reaparelhamento da Força. Com uma costa de 8,5 mil quilômetros,
como disse o almirante Júlio Soares de Moura Neto, temos que estar prontos
para garantir a soberania e os interesses do Brasil no mar e é mais do que
sabido que a Marinha está com meios insuficientes para isso. Aguardamos
ansiosamente o anúncio do retorno do programa nuclear, que permitirá que os
submarinos brasileiros permaneçam submersos por mais tempo. Parabéns,
comandante.
Tomás de Aquino Pereira – por correio eletrônico
Dogma ambientalista
Os cientistas brasileiros estão voltando seus olhos para
desvendar o mistério do aquecimento global. Esse é um passo importante para a
construção de um pensamento próprio sobre esse tema que já está cheirando a
dogmatismo católico. A inquestionável ação do deus onipresente, onipotente e
onisapiente do CO2. A heresia no caso da catástrofe ambiental iminente é a
postura crítica daqueles que tentam observar os dados antes de tirar
conclusões. Estes já não são taxados de bruxas mas, segundo os defensores do
dogma ambientalista, têm um pacto com o demônio: o cartel petrolífero. Quem
viver verá.
Marisa de Albulquerque – Marabá (PA)
Persona non grata
Segundo Zélia Cardoso de Melo afirma, era um momento
dramático do País, e por isso executou uma solução mais dramática ainda: o
confisco, preparado previamente, das economias e poupanças dos cidadãos
brasileiros. Em outras palavras: virar a mesa e depois aparecer como a
salvadora da Pátria com uma solução, que, agora, 17 anos depois, admite ter
sido uma solução errada para o tal momento dramático. Desfaçatez e cinismo
realmente não combinam com arrependimento. Talvez seja essa a única postura
que se lhe pode atribuir alguma coerência. Depois do estrago feito e antes de
retirar-se do Brasil, foi rejeitada pelos seus alunos da USP. Belíssima
atitude dos estudantes que complementou a dos muitos e muitos cara pintadas
que foram às ruas exigir a saída humilhante do, agora choroso, patrão. Por
essas e outras razões é incompreensível que ela tenha comparecido a um evento
de executivos e, ainda por cima, ser por eles aplaudida. Os presentes deveriam
se envergonhar de tomar assento à mesa com ela e deglutir uma refeição de fel.
Afinal, Zélia, tal qual Collor, é persona non grata neste País. Sua breve
partida será uma bênção para os cidadãos brasileiros. Que se vá e não retorne
mais, pois o ostracismo, ou a morte civil, são as penas que lhe caem muito
bem.
Pedro Vergueiro – São Paulo (SP)
Emenda 3
Com a honrosa exceção do HP, a imprensa brasileira faz
uma verdadeira cortina de silêncio sobre esse assalto aos direitos dos
trabalhadores representado pela Emenda 3, que pretende facilitar a contratação
de empregados como “pessoas jurídicas”. A luta das centrais em defesa da
manutenção do veto presidencial merece nosso aplauso.
Márcia Leme – Campo Grande (MS)