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Nos EUA, Lula defende fim das barreiras ao etanol
brasileiro
Afirmou que
o Brasil “aposta na integração da América do Sul” e rejeitou as pressões
contra as relações da Petrobrás com o Irã
O presidente Lula afirmou em
Camp David (EUA), durante entrevista logo após reunir-se com Bush, que o
Brasil vai continuar “apostando firmemente na integração da América do Sul”.
“Estamos obtendo avanços extraordinários com a integração, expandindo o
comércio e realizando as obras de infra-estrutura que podemos realizar”,
disse, no último sábado. “Nós estamos aproximando os nossos povos, que durante
tanto tempo ficaram de costas um para o outro”.
PETROBRÁS
Ao responder a uma pergunta
sobre restrições recentes que o embaixador norte-americano no Brasil, Clifford
Sobel, fez à direção da Petrobrás sobre os projetos e investimentos da estatal
brasileira no Irã, Lula deixou claro que os assuntos do Brasil com o Irã não
são da alçada dos EUA. “Estou convencido de que a Petrobrás vai continuar
investindo e pesquisando no Irã, salientou o presidente. “O Irã tem sido um
parceiro comercial importante do Brasil”, argumentou.
Descartando qualquer medida que
signifique redução ou limitação nas relações comerciais com o Irã, Lula
ressaltou que só quem tem autoridade para analisar esse tipo de questão é a
ONU e mais ninguém.
Em seu pronunciamento, Lula
disse que o século XXI tem que ser “o século da inclusão dos deserdados no
século XX”. E fez questão de destacar que ao dizer isso estava falando dos
países mais pobres da América Latina, da América do Sul, da África e da Ásia.
Lembrando que a Rodada de Doha é
decisiva para diminuir a fome, Lula defendeu que se derrubem as barreiras
comerciais impostas pelas grandes potências para que se possa combater a
pobreza no mundo. “Estamos tentando concluir com êxito essas negociações
comerciais”, lembrou.
“A persistência de subsídios
agrícolas encarece os alimentos e desestimula sua produção nos países pobres”,
denunciou. “Sem a eliminação dos subsídios, a oportunidade de desenvolvimento
representada pelos biocombustíveis será perdida e, com ela, a possibilidade de
melhoria das condições de vida de centenas de milhões de homens e mulheres”,
prosseguiu Lula.
“É necessário ir eliminando as
barreiras ao etanol, para fazer valer uma verdadeira commodity energética”,
ressaltou. “Em nenhum momento eu saí daqui com o otimismo que eu saio, de que
estamos mais próximos do que jamais estivemos de fazer um acordo na Rodada de
Doha”, completou o presidente.
Lula falou também sobre a
poluição ambiental, um dos principais problemas provocados pela indústria
norte-americana. “Temos um assunto a ser tratado no século XXI, que não
tratamos bem no século XX e que pode permear as nossas relações para os
próximos anos, que é a questão climática do planeta Terra”, disse. “Agora,
chegou a hora e a vez dos países do mundo inteiro levarem a sério a questão
ambiental, porque a Humanidade enfrenta um dos maiores riscos da sua
história”, denunciou.
“O problema é assustadoramente
concreto e atual, mas sua solução ainda é viável. Parte dela está ao alcance
de nossas mãos. Já conversamos sobre isso duas vezes. Conversamos sobre os
biocombustíveis e sobre nossa determinação em aprofundar a cooperação nesse
setor”, lembrou.
Lula fez referência ao Memorando
de Entendimento assinado em São Paulo que, segundo ele “constitui a base de
uma parceria ambiciosa que permitirá enfrentar os grandes desafios deste
século que começa”. “Primeiro, a resolução da crise energética que afeta quase
todos os países do mundo; segundo, a proteção do meio ambiente, ameaçado pelo
aquecimento global. Finalmente, a redução da pobreza e da exclusão social, com
a criação de novos empregos e expansão da renda para os trabalhadores mais
pobres do mundo”, apontou. Ele lembrou que o estímulo à produção de
biocombustíveis “é parte decisiva do esforço para resolver esse problema”.
“Essa nova matriz energética
poderá tornar o mundo mais independente, poderá tornar o mundo mais gerador de
riqueza porque a experiência que nós temos no Brasil é que, para cada
trabalhador que trabalha numa usina de biodiesel, é preciso mil trabalhadores
no campo. Significa que nós poderemos gerar uma quantidade de milhões de
empregos pelos países mais pobres do mundo que não estava previsto em nenhum
documento assinado por nós no século XX”, afirmou.
ALIMENTOS
“O Brasil”, prosseguiu, “possui
a maior e mais importante biodiversidade do Planeta. Temos consciência do
valor que esse patrimônio natural representa para o nosso país e para o
mundo”. “O Brasil, com 383 milhões de hectares de área agricultável, pode
conciliar a produção de alimentos, a produção de biocombustíveis e a defesa de
nossas florestas”, enfatizou. “Nosso conhecido compromisso com o combate à
fome não nos permite que qualquer atividade venha a prejudicar a produção de
alimentos”, ressaltou. “E todos nós sabemos que a fome no mundo não é gerada
por falta de alimentos mas, sim, pela falta de renda e de decisão política de
garantir comida para todo mundo”, completou.
SÉRGIO CRUZ
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