Kassab proíbe feirante de
gritar para atrair os fregueses nas feiras livres
Os
feirantes que, enquanto a cidade dorme já estão a mil por hora, terão uma
surpresa curiosa a partir do mês de abril: estarão proibidos de gritar para
atrair os fregueses. Com a nova lei aprovada no início do mês pela gestão
Gilberto Kassab, além de falar baixo, eles terão que montar e desmontar as
barracas em silêncio. Mas é claro, a lei já está provocando muito barulho dos
dois lados das barracas, já que é difícil imaginar uma feira sem a animação
das descontraídas gritarias.
Pela nova Lei, os feirantes também serão obrigados a aposentar o jornal velho
para embrulhar banana e peixe, além de vestir roupas e uniformes combinando a
cor com o tipo de mercadoria vendida. O vendedor de ovos, por exemplo, terá o
toldo da barraca listrado de amarelo e branco combinando com roupas amarelas.
O
decreto também estabelece mudanças em relação ao horário de funcionamento. O
paulistano vai ter de aguardar meia hora para poder fazer suas compras. As
bancas devem funcionar das 7h30 às 13h30, alterando uma rotina de quase 20
anos, quando os feirantes trabalhavam das 7 às 13 horas. Quem for flagrado
utilizando algum aparelho sonoro durante o período de funcionamento das feiras
livres poderá perder o aparelho e até a licença de trabalho.
E
na hora de aplicar a lei, como saber quem está gritando mais alto? “Eu não sei
lhe responder. Temos 889 feiras na cidade, 11400 feirantes, então não é
multar, é convencê-los a adotar nova postura”, explicou José Roberto Graziano,
supervisor de abastecimento.
“Você gritando, quem está a 10 metros vê a promoção que você está fazendo”,
justifica-se um feirante. “Eu já me habituei, acho alegre”, diz uma freguesa.
“Ajuda a escolher o melhor preço”, diz outra. “Em casa, quem grita é a mulher.
Eu grito na feira pra desabafar”, diz um feirante.
A
prefeitura desconhece até mesmo a real situação das feiras livres na cidade.
Até no número de feiras existentes as Secretarias da Prefeitura divergem – são
930 segundo a Secretaria das Subprefeituras e 891 de acordo com a supervisão
geral de abastecimento, da Secretaria da Gestão.
NAYARA DE DEUS