Caixa 2 de Azeredo foi
financiado com verba pública, conclui PF
O relatório do inquérito
aberto pela Polícia Federal para investigar o “tucanoduto” do ex-presidente do
PSDB e senador Eduardo Azeredo (MG) concluiu que o caixa 2 de sua campanha em
1998, operado por Marcos Valério, foi financiado com recursos desviados dos
cofres públicos de Minas Gerais. O relatório e as provas reunidas pela PF
foram encaminhados no dia 6 de julho ao procurador-geral da República, Antônio
Fernando de Souza, que deverá denunciar o tucano.
As investigações da PF
apontam que Marcos Valério e o ex-tesoureiro da campanha frustrada de
reeleição ao governo de Minas em 1998, Cláudio Mourão, eram os responsáveis
pela operação do esquema. Apesar de negar as acusações, Mourão acabou se
transformando numa importante prova do processo depois que se desentendeu com
o senador e produziu um relatório detalhado de como funcionou a arrecadação e
a distribuição dos recursos do caixa 2 tucano.
Azeredo declarou ao Tribunal
Regional Eleitoral que gastou R$ 8,5 milhões em sua campanha. Após as
denúncias, admitiu o valor de R$ 20 milhões. Entretanto, seu tesoureiro
afirmou, em documento com veracidade comprovada por um laudo do Instituto
Nacional de Criminalística (INC), que arrecadou “mais de R$ 100 milhões
(valores não atualizados), sendo que destes recursos, R$ 53.879.396,86 foram
movimentados via as empresas DNA e SMP&B de Marcos Valério”.
TUCANODUTO
Em seu relato, Mourão afirma
categoricamente que “parte do recurso [que financiou o caixa 2 de Azeredo] foi
de empréstimos com o aval do governo, vindo das privatizações, de
empreiteiras, Queiroz Galvão, Erkal, CBN, Engesa, ARG, Tercam, entre outras,
de fornecedores do Estado, de prestadores de serviços diversos, construtoras,
indústrias, bancos, corretoras de valores, da Cemig, da Prodemg, da Telemig,
Secretarias de Governo, inclusive da Fazenda, Banco BDMG, de doleiros e de
outros colaboradores individuais, no valor superior a cifra de R$ 80 milhões.
Mesmo assim, ficou pendente uma dívida superior a R$ 20 milhões”.
Um dos casos mais
comprometedores é o do dinheiro desviado da Cemig. No dia 21 de outubro de
1998, quatro dias antes do segundo turno para a eleição do governo de Minas
Gerais, a estatal realizou um depósito de R$ 1.673.981,90 na conta da empresa
SMP&B, do publicitário Marcos Valério, sob a alegação de custear a produção de
revistas e folhetos. No dia seguinte, 22 de outubro, a mesma SMP&B distribuiu
R$ 1.162.459,28 para os apoiadores do então candidato à reeleição, Eduardo
Azeredo, através de dezenas de transferências bancárias realizadas no Banco de
Crédito Nacional (BCN).
Em depoimento à CPMI dos
Correios, Mourão tentou desmentir que havia produzido o documento e acusou o
lobista Nilton Monteiro de tê-lo falsificado. O laudo da PF comprovou que o
relatório foi produzido por Mourão, que chegou a receber um cheque no valor de
R$ 700 mil de Eduardo Azeredo sob a alegação de “quitação de dívidas de
campanha”. O detalhe é que o cheque com que Azeredo pagou o seu tesoureiro era
de uma conta pessoal de Marcos Valério e de sua esposa.
ALESSANDRO RODRIGUES