Mauro Bragato renuncia após
pedido de cassação pela Procuradoria Eleitoral
Acusado de envolvimento com
a máfia da CDHU e com a cassação do seu mandato pedida pela Procuradoria
Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP), o deputado Mauro Bragato se afastou
da liderança do PSDB na Assembléia Legislativa de São Paulo. O tucano
desligou-se do cargo durante o recesso parlamentar para evitar alarde da
decisão. Como é de praxe, os seus colegas na Casa disseram que o afastamento
foi uma decisão particular e negaram que houve pressão para a sua saída com a
intenção de minimizar os prejuízos causados pelas denúncias de corrupção.
A situação de Bragato
começou a se complicar no mês de maio, quando a Polícia Civil e o Ministério
Público de São Paulo desmontaram uma quadrilha que agia superfaturando e
dirigindo licitações da CDHU na região de Presidente Prudente. Depoimento dos
envolvidos e o livro-caixa da empresa pivô do esquema, a FT Construções,
apontam que o então líder do PSDB recebia propinas mensais da empresa. O
Ministério Público denunciou que constava no livro da empresa 30 anotações com
as iniciais “MBR” (Mauro Bragato) ao lado de valores entre R$ 1.500 a R$ 4.000
(totalizando R$ 115 mil) e a sigla “QLN”, que segundo funcionários significava
“quanto levo nisso”.
Antes do recesso
parlamentar, uma ação orquestrada pelo governo de São Paulo e por seus aliados
na Assembléia conseguiu impedir a instalação de uma CPI para investigar os
escândalos da CDHU e a abertura de um processo no Conselho de Ética contra o
deputado. Bragato contava com as férias para que o caso fosse esquecido.
No entanto, uma ação
ajuizada pela Procuradoria Eleitoral no dia 16 de julho e trazida à tona no
dia 30, pedindo a cassação do mandato do tucano, foi determinante para ele
pedir o afastamento do cargo de líder. A ação da PRE se baseia na principal
alegação de Bragato para fugir da condenação, ou seja, o pequeno patrimônio de
R$ 6.540, segundo a sua declaração de bens na Justiça Eleitoral.
Para o leitor pode parecer
estranho que um deputado tenha um processo de cassação por não possuir bens.
Mas não é. O problema é que o mesmo deputado, que propalou nunca ter reunido
patrimônio em seu nome em décadas de vida pública, fez uma autodoação de R$ 40
mil para fechar as contas de sua campanha, um valor 511% superior ao seu
patrimônio. Ou seja, a sua única defesa foi um tiro no pé, pois mostrou que o
deputado usa de subterfúgios para se sustentar e para manter o patrimônio
invisível.
Para se desvencilhar da
denúncia que fez contra si, Bragato tentou remendar dizendo que conseguiu o
dinheiro emprestado com um amigo e que pagaria em duas parcelas de R$ 20 mil.
Questionado se não pagaria juros, disse não se lembrar. A um jornal, Bragato
disse que pediu o dinheiro para um agiota. Mesmo diante da possível cassação,
o ex-líder tucano disse não temer porque “fiz tudo direitinho, como manda o
figurino”.
ALESSANDRO RODRIGUES