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Japão: coalizão do governo de  Abe sofre derrota acachapante nas eleições para o Senado

A coalizão liderada pelo primeiro-ministro, Shinzo Abe, aliado declarado de George W. Bush, sofreu uma acachapante derrota nas eleições para o Senado realizadas no domingo, 29, no Japão, nas quais perdeu a maioria que detinha. Apesar de varrido nas urnas e da revolta da população, Abe declarou que permanecerá no poder.

Na eleição foram disputadas a metade das 242 cadeiras do Senado japonês. O Partido Liberal Democrático, PLD, perdeu 55 cadeiras, ficando somente com 83 senadores, enquanto que o oposicionista Partido Democrático do Japão, PDJ ganhou mais 30, garantindo 109 cadeiras.

A rejeição que levou à acachapante derrota do PLD, que perdeu a maioria numa das duas câmaras do Parlamento pela primeira vez em nove anos, foi o irresponsável ‘extravio’ por parte do sistema público nacional de seguridade social dos documentos que comprovam a contribuição da aposentadoria de 50 milhões de trabalhadores. Num país com elevada taxa de envelhecimento, e com um governo que acenou com reformas constitucionais que permitam entregar setores importantes da economia, a explicação de que foi “um erro lamentável” não colou.

A votação também expressou a condenação ao Parlamento que autorizou uma das maiores privatizações da história ao aprovar a reforma do serviço de correios desse país, que inclui o banco de poupança maior do mundo, com 260.000 funcionários e cerca de US$ 3 trilhões em ativos.

O derrotado pode se manter no poder porque ainda dispõe de maioria na Câmara dos Deputados, que elege o primeiro-ministro.  

FUJIMORI  

Em prisão domiciliar no Chile, enquanto aguarda a decisão sobre um pedido de extradição para responder por crimes de roubo do patrimônio público, de assassinatos e contra os direitos humanos, o ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, foi fragorosamente derrotado na sua tentativa de se eleger senador no Japão para obter imunidade. Concorreu por um pequeno e in expressivo partido, o Novo Partido do Povo.

Com dupla cidadania - fato que negou até o último instante, porque pela legislação peruana não poderia ser presidente -, ele fugiu, ainda como mandatário do Peru, em 2000, e renunciou por fax, enviado de Tóquio. Em 2005 foi para o Chile para tentar regressar a Lima.

“É um alento que o povo japonês não tenha dado credibilidade a um fugitivo da Justiça, o que poderia ampará-lo e protegê-lo. Gostaríamos que o governo japonês tivesse se expressado da mesma forma desde o início, mas quem fez isso foi seu povo”, disse Francisco Soberón, diretor da Associação Pró-Direitos Humanos do Peru.
 

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