Ingleses batem em
retirada de Basra sob ‘ataques a todas horas do dia e da noite’
O “New York Times” registrou
que “os níveis de forças inglesas” no Iraque estão “estão indo em sentido
oposto” à escalada de Bush em Bagdá, enquanto as tropas inglesas procediam à
retirada de seu Quartel-General no centro de Basra, para uma base próxima a um
aeroporto fora da cidade, que é a segunda maior do país e o centro petroleiro
do sul. Na semana passada, em um único dia o QG – instalado em um palácio
iraquiano -, foi atingido 69 vezes por foguetes e morteiros.
“Em tal ambiente, disseram
comandantes britânicos, retirar as tropas do centro da cidade tira um “imã”
para ataques”, relatou o “NYT”. Ao se completar a retirada de Basra, haverá
menos 500 soldados ingleses no Iraque. Ainda segundo o jornal nova-iorquino,
“no Palácio de Basra, os ataques de foguetes a todas as horas do dia e da
noite levaram os soldados a apelidá-lo, com característico humor negro,
“provavelmente o pior palácio do mundo”.
O comandante da 1ª Brigada
Mecanizada, Brigadeiro James Bashall, parecia conformado de que seus homens na
retirada “vão tomar um monte de fogo indireto conforme vamos recuando”. Mas,
corridos a tiros, os ingleses asseveraram ao “NYT” que irão, doravante,
“vigiar demais” e “intervir de um modo limitado” se pedido “pelos iraquianos”.
E estes não param de pedir, com foguetes, bombas e tiros de Kalachnikov.
Este ano, de acordo com o
número oficial, já foram mortos 36 ingleses.
FRACASSO
Uma “ONG” muito chegada a
Londres considerou um sucesso “relativo” a tentativa, fracassada, feita pelos
invasores ingleses, de reverter nas últimas semanas o quadro em Basra. Mas um
soldado relatou ao “NYT” que “tudo que temos feito agora é nos reabastecer”.
“Estamos andando em círculos. Pessoas são mortas por nós para nos
reabastecermos, e se nós não estivéssemos nos reabastecendo, as pessoas não
teriam sido mortas”. O comando inglês avaliou em “100 insurgentes” o número de
mortos nessas operações – que devem ser na maioria, senão no total, civis
sobre os quais os invasores despejaram seus recalques.
Mas não adiantou. Estão
amontoados na base do Aeroporto e, a prevalecer o que já houve em Amara, outra
capital provincial de onde os ingleses foram corridos, vão acabar tendo de ir
se esconder no meio do mato e serem reabastecidos por avião. Enquanto isso, em
Washington, o substituto de Blair, o primeiro-ministro Gordon Brown, botava
uma vaselina na retirada para os cafundós de Basra, com visita a W. Bush.
Quanto aos tempos de primeiro-poodle, um comentarista da BBC avaliou que “é
difícil não concluir que há uma mudança de atmosfera. É sutil e qualquer idéia
de que seja uma mudança maior incomoda o governo, mas certamente está lá”. Um
dos novos ministros de Brown, Douglas Alexander, em recente pronunciamento,
deu pistas. Ele reiterou que o governo inglês precisa demonstrar “por suas
palavras e ações” que é “multilateralista, não unilateralista”; “ativo, não
passivo”; e “guiados por valores essenciais consistentemente aplicados, não
interesses especiais”.