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Especuladores avaliam quanto o Brasil cabe no portfólio, diz Iedi

A corda bamba na Bolsa é a demonstração de que a economia brasileira não pode continuar sendo um apêndice da especulação dos EUA

No final do mês passado, entre 23 e 27, o chamado mercado financeiro passou um tanto conturbado, com a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumulando perdas de 7,86%, o que significou uma desvalorização de R$ 100 bilhões no valor das empresas. Já o dólar, após meses de trajetória de queda, passou de R$ 1,843 para R$ 1,897, um aumento de 2,9%, sendo que na quinta-feira (dia 26) atingiu a cotação de R$ 1,927.

Apesar de apresentar um crescimento de 2,9% ante o real na referida semana, no mês de julho a moeda norte-americana apresentou uma desvalorização de 1,66% e no ano, de 9,83%.

Ocorrida principalmente na quinta-feira, a turbulência levou inclusive a que o Tesouro Nacional cancelasse leilão de títulos públicos (LTF e NTN-F). Já o chamado risco-país, determinado pelas agências de “rating” - tipo Moody´s e Standard & Poor´s - subiu 21%, atingindo 222 pontos, e depois recuou 4,5%. O risco-país é uma indicação aos “investidores” onde há maior facilidade de se ganhar os tubos com a especulação financeira.  

EUA 

A queda generalizada em todos os negócios na Bovespa e a alta do dólar tiveram origem nos EUA. Qualquer espirro por aqueles lados tem reflexos imediatos nas economias periféricas do sistema capitalista a ela vinculada e dependente, como no caso da brasileira. Ao analisar os fatos da semana passada, o professor da Unicamp Edgard Pereira, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), disse que os movimentos acentuados de capitais especulativos dos “investidores” estrangeiros, no período, afeta o Brasil de imediato em função dos juros altos ainda vigentes e do câmbio adverso por eles provocado. “Esses investidores olham para o mercado internacional e avaliam perspectivas de ganho. Eles fazem uma análise fria de dados. Procuram avaliar quanto de Brasil cabe no portfólio, mas isso não significa ‘casar’ com o Brasil..., e vendem suas posições se for a opção para não ter perda e ter lucro”, afirmou, na Gazeta Mercantil.

O economista lembrou que no primeiro semestre a conta capital e financeira, do balanço de pagamentos, totalizou US$ 59 bilhões, advindos principalmente de capitais especulativos. Segundo o BC, no período, entraram no país US$ 46,451 bilhões em capital de curto prazo: títulos de renda fixa, derivativos financeiros, depósitos de não residentes etc.

Segundo Pereira, os fatos demonstram que os especuladores chegaram à conclusão de que era hora de “realizar lucro”. “Esses movimentos levam a grandes perdas e muitos fundos acabam comprando ativos, promovendo operações de contenção de perdas... E a volatilidade ampliada resulta de vendas e da iniciativa de autopreservação do próprio mercado”.

No Brasil, as “aplicações” em títulos da dívida pública e em ações na Bolsa são francamente favorecidas pela total de liberdade de movimentação de capitais. Os especuladores já começam ganhando com a conversão das moedas, sem falar na atuação especulativa em si. Os principais “aplicadores” de papéis na Bovespa são estrangeiros, com cerca de 35% das movimentações dos papéis, à frente dos investidores institucionais, como os fundos de pensão, com cerca de 29%. 

VULNERABILIDADE 

O vai-e-vem na cotação do dólar e na valorização/desvalorização na Bolsa, da noite para o dia, mostrou mais um a vez uma alta vulnerabilidade externa da economia brasileira, mesmo que alguns queiram realçar os “fundamentos sólidos da economia”, principalmente as reservas internacionais de US$ 155,910 bilhões. Mas os próprios fatos demonstram que não, uma vez que fatores internos não tiveram influência nenhuma sobre as turbulências vividas no “mercado financeiro”, no Brasil, na semana passada, pelo contrário.

O atual estágio do imperialismo chegou a um grau tão grande de parasitismo, que o aspecto financeiro supera em muito a produção. Não apenas com os velhos conhecidos (títulos, ações, câmbio etc), mas também com os “derivativos”, “swaps de juros”, “swaps cambiais”, “fundos de hedge” e outros que tais. Segundo o McKinsey Global Institute, os ativos financeiros mundiais alcançaram US$ 140 trilhões em 2005. Nos EUA, a relação entre ativos financeiros e PIB cresceu de 303% para 405%, entre 1995 e 2005.

A única forma de evitar que a economia brasileria continue vivendo de sobressaltos é exatamente se desvincular disso, ou seja, impedir que os capitais dos vampiros continuem entrando, e saindo, em massa em nosso país, provocando, entre outras coisas, um câmbio deletério. Daí a necessidade da redução da taxa de juros, para que seja compatível com a produção e não com o cassino global da especulação financeira, que tem como epicentro a economia norte-americana.

VALDO ALBUQUERQUE

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03/08/2007
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