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Lula aponta “insanidade e imbecilidade” de golpistas

“Com democracia não se brinca, o que vem depois dela é sempre muito pior”, alertou o presidente durante seu discurso em Cuiabá

O presidente Lula anunciou na segunda-feira, em viagem a Cuiabá, a liberação de R$ 574,5 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras de saneamento e urbanização de municípios mato-grossenses. Ele esteve também em Campo Grande onde anunciou investimentos no Mato Grosso do Sul. Segundo Lula, “acabou o tempo em que os recursos eram retidos sob os mais variados pretextos para fazer superávit primário”.

Ele disse que “o troféu que o nosso governo poderá levantar daqui a alguns anos com essas obras nas periferias das cidades será ver uma criança de 5 ou 6 anos brincando, e a gente poder dizer: graças a Deus, essa criança não pegou uma verminose, essa criança não está contaminada por nenhuma doença adquirida por conta da falta de saneamento básico”.

RUA

Durante as solenidades, em Cuiabá e Campo Grande, que contaram com a presença de governadores, prefeitos, lideranças políticas e populares, além de ministros, o presidente aproveitou para mandar um recado a alguns setores da elite paulista, em sua maior parte residente nos Jardins que, insuflada pela mídia golpista, andou nos últimos dias dando pitis contra o governo. “Quem achar que pode me vencer na rua, pode tirar o cavalo da chuva, porque de rua eu entendo e entendo muito”, advertiu.

Em relação aos arremedos udenistas dos milionários que andam se dizendo “cansados” da prioridade ao povo adotada pelo governo Lula, ele destacou a necessidade de que esses grupos de privilegiados da sociedade respeitem a democracia e o voto popular. “A única coisa que eu quero dizer, e todo mundo aqui sabe, é que com a democracia não se brinca, o que vem depois dela é sempre muito pior”, alertou. “E eles têm que pensar nisso”.

“Essa gente que não pensa assim”, disse, “fez a Marcha com Deus pela Liberdade em 1964, que resultou no golpe militar”. “Essa gente que não pensa assim levou Getúlio Vargas ao suicídio”, prosseguiu. “Essa gente que não pensa assim levou o João Goulart a renunciar; essa gente que não pensa assim ficou contente com 23 anos de regime militar e está incomodada com a democracia”, assinalou Lula, lembrando que “a democracia pressupõe o pobre ter direito; pressupõe o pobre ter Bolsa Família; pressupõe fazer a reforma agrária”. “E ainda estamos em dívida com os trabalhadores e precisamos fazer mais”, apontou.

“Mas, se alguns quiserem brincar com a democracia, eles sabem que ninguém neste país sabe colocar mais gente nas ruas do que eu”, disse o presidente. “Portanto, se alguém acha que, com estupidez, vai atrapalhar que a gente faça neste país o que precisa ser feito, pode tirar o cavalo da chuva, porque não conheço um deles que tenha uma biografia que lhe permita sequer falar em democracia neste país, e eu conheço muitos”, afirmou.

“Agora, as pessoas acham que podem indicar alguém agora e amanhã gritar “fora, fora, eu não gostei”, referindo-se aos movimentos orquestrados por grupos elitistas. “Ora, meu Deus do Céu! Eu brinco com isso porque esses dias eu fiquei lendo, aí: “Ah, porque o presidente não vai sair mais, porque o presidente vai ficar dentro do gabinete”. “Podem ficar certos de que ninguém vai ficar com saudades de ver o Lula nas ruas, porque as ruas deste país, de 8 milhões e meio de quilômetros quadrados, eu irei visitá-las quase todas neste mandato e fazer muito mais coisas”.

“Quero alertar a essas pessoas que não tentem achar que, vendendo notinhas para os jornais, dizendo que vai ter uma manifestação contra o presidente em tal lugar, e o presidente vai deixar de ir”. “Quando diziam que era proibido fazer greve, eu ia fazer greve. Portanto, se pensarem que vão deixar o Lula dentro daquele gabinete... meu maior prazer é ficar assim, no meio de vocês”, disse.

Depois de comentar sobre a “meia dúzia de meninos” do PSDB segurando faixas na cidade, Lula ironizou as campanhas dos grupos de yuppies e dondocas de São Paulo, particularmente do mais badalado deles, o grupo dos “cansados” contra o seu governo. “Deus, quando fez a gente, ele nos fez perfeitos, temos duas orelhas, uma para escutar vaias e outra para escutar aplausos”. “Os que estão vaiando são os que mais deveriam estar aplaudindo. Os que estão vaiando, prefeito - dirigindo-se ao prefeito de Cuiabá - posso garantir, são os que ganharam muito dinheiro neste país no meu governo”, afirmou. “Aliás, a parte mais pobre é que deveria estar mais zangada, porque ela teve menos do que eles tiveram”, destacou.

PREFEITO

O prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), criticou manifestantes de seu partido, que tentaram ensaiar um protesto em Cuiabá. “Não dá nem para formar um time de futebol de salão, e não tem nada a ver com a cidade, com o espírito do povo cuiabano”, disse o tucano sobre os manifestantes. Santos elogiou Lula e disse que o presidente “cuida dos pobres”. “Em nome do PSDB, quero dizer que o senhor é o presidente que mais trouxe dinheiro na história de 300 anos de Cuiabá”, anunciou.

O presidente agradeceu e disse que “o que incomoda mesmo essa gente é que nós, em quatro anos, construímos 25% de tudo o que foi construído em 123 anos”. “Isso deve incomodar muito”. “Eu, às vezes, acho que a política tem um lado pequeno, tem um lado mesquinho”, avaliou. “Na política é assim. Quem perde, fica em casa acendendo vela, cabeça de galo, cabeça de urubu, fazendo coisas para que não dê certo. Mas isso é de uma imbecilidade total, isso chega a ser uma coisa quase insana, porque se não desse certo e quem pagasse fosse o prefeito, fosse o Blairo ou o Lula, não teria problema nenhum. Agora, se não der certo, vai sobrar nas costas de quem? Vai sobrar nas costas do povo e da parte mais pobre da população”, completou.

SÉRGIO CRUZ
 

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03/08/2007
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