TSE por unanimidade
mantém governador da Paraíba no cargo
O Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) decidiu por unanimidade, na quarta-feira, conceder liminar ao
governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), suspendendo os efeitos da
decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado, que cassou o seu
mandato e o do vice-governador, José Lacerda Neto. Dessa forma, o governador
permanecerá no cargo até a análise do recurso que os advogados do governador
farão contra a decisão do TRE paraibano.
“Vou lutar não somente
para manter meu mandato, mas para manter o direito de mais de 1 milhão de
eleitores que votaram e confiaram em mim”, declarou Cássio Cunha Lima, durante
entrevista no Palácio da Redenção (sede do governo), em João Pessoa, na última
terça-feira. O governador afirmou que a decisão do TRE só ocorreu porque sua
administração está voltada para atender as necessidades dos mais pobres. “É
por causa da opção prioritária pelos mais pobres que estamos enfrentando esses
obstáculos”, disse.
Na segunda-feira, o
Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba ignorou os argumentos da defesa do
governador e julgou procedente o pedido do PCB paraibano para cassar o mandato
de Cunha Lima, segundo o qual, durante a campanha de 2006, Cunha Lima teria se
beneficiado eleitoralmente com a distribuição de 35 mil cheques pela Fundação
de Ação Comunitária (FAC).
A defesa de Cunha Lima
comprovou que os cheques foram distribuídos de forma legal e que os recursos
eram do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Funcep), criado em 2004
pela Assembléia Legislativa e regulamentado em 2005. A denúncia de
favorecimento foi investigada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que
arquivou o processo por considerar lícita a ação do governo. O Ministério
Público e a Polícia Federal também fizeram uma investigação paralela, onde
foram ouvidas 350 pessoas beneficiadas, sendo que não há nenhum depoimento de
compra de voto. Mas somente na hora da votação o TRE anexou os processos do
TCE, MP e PF aos autos, sem dar nenhum tempo para análise.
A lei eleitoral permite a
execução de programas assistenciais sob dois critérios: a previsão legal e
execução orçamentária anterior ao ano eleitoral. “A concessão de auxílio
financeiro está prevista na lei orçamentária de 2005 e de 2006 e a execução do
programa não é novidade, a concessão de benefícios a famílias carentes existe
há muito tempo na Paraíba, portanto, não há nenhuma irregularidade nos
benefícios concedidos pela FAC”, afirmou o advogado Luciano Pires, que faz
parte da equipe de defesa do governador.