Seara/Cargill demite
trabalhadora grávida em Sidrolândia-MS
“Cheguei na Cargill
e me disseram que não precisava trabalhar, que iam no RH buscar o meu
histórico, porque estava complicado... Aí me perguntaram: ‘Bateu seu cartão?
Bate e não precisa entrar, amanhã a gente vê’. Como bati para entrar e para
sair, eles consideraram falta. Nem falaram em acordo ou coisa parecida. Só me
disseram: você está sendo demitida por justa causa, não há nada que possamos
fazer por você...”
A denúncia é de
Daniela Centurião, 20 anos, grávida de quatro meses, um ano e seis meses de
trabalho no frigorífico da Seara/Cargill, em Sidrolândia, no Mato Grosso do
Sul, que está processando a multinacional.
“Eles sabiam que
estava grávida, fazendo direitinho o pré-natal... Eu já tinha pedido o exame
de ultrassom da Apae, levado o meu exame e comprovado tudo. Estou sendo muito
prejudicada pela Cargill”, afirma.
Trabalhadora da
desossa da coxa, ela alerta para o intenso ritmo de trabalho e a desumanidade
da multinacional. “A desossa da coxa é algo que exige habilidade na sala de
corte. Se alguém falta, tira férias ou folga, o ritmo fica ainda mais rápido,
cansativo. Dizem que é três coxas por minuto, mas na verdade são quatro,
cinco. Cada coxa precisa de vários cortes e, se deixar passar, dá advertência.
Às vezes é tão cansativo que você não tem disposição para nada. Pode perguntar
para qualquer um”.
O salário máximo
pago no frigorífico é de R$ 624,00, valor que contrasta com os lucros
proporcionados pelos sucessivos recordes obtidos com a exportação de frango. A
complexidade dos cortes agrega valor para a empresa, mas somados e
potencializados pela intensidade brutal do ritmo, têm dilapidado a saúde do
trabalhador, com lesão, mutilação e, inclusive, morte, como o registrado
recentemente no mesmo frigorífico, onde foi moído o operário Marcos Antonio
Pedro. Para a Cargill, o acidente de trabalho foi “suicídio”.