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‘The NYTimes’ quer ensinar o Brasil a cuidar da Amazônia

No mais recente artigo, diretamente do coração da Amazônia, o conhecido Larry Rohter defende “mecanismos de mercado”, sem o controle do Estado, no combate às queimadas na floresta

Com direito a destaque na primeira página, o mais recente artigo do conhecido correspondente do “The New York Times” para assuntos brasileiros, Larry Rohter, destila seu veneno sobre o que chamou de a “resistência do Brasil a reduzir o desflorestamento”.

Vez por outra na Amazônia, anda de lá para cá pontificando sobre a grande importância da floresta para a sobrevivência do planeta.

Desta vez, achou por bem defender a tese de que o governo brasileiro não é capaz de conter o desmatamento da Amazônia, na qual há “áreas do tamanho de New Jersey, ou maiores, são extirpadas a cada ano”. E ainda, que essa tarefa só não está sendo feita por causa da “resistência” do país em permitir que a iniciativa privada, ou melhor, os “mecanismos de mercado”, ajam. 

DOADORES 

Segundo Rohter, isso acontece pelo fato de o governo brasileiro insistir em administrar os recursos necessários para proteger uma das maiores riquezas do povo brasileiro. Ainda segundo Rohter, “potenciais doadores dizem estar preocupados com o disperdício e a ineficiência, e temem que tais fundos terminariam acabando, como disse uma pessoa que pediu para não ser identificada [claro, pelo bem da liberdade de imprensa], indo pelo ralo”.

Para Rohter, e para os interesses que defende, nem o mínimo controle que a Lei De Florestas Públicas proporciona pode existir. Para ele, quem tem que gerenciar os projetos de sustentabilidade da floresta não é o governo brasileiro, mas os próprios doadores. Obviamente com os interesses mais insustentáveis do mundo, como se pode pela devastação de milhões de hectares de floresta virgem na Europa e nos Estados Unidos.

Para embasar suas filantrópicas preocupações com a nossa floresta, Rohter usa não só a histeria estabelecida pela mídia de um apocalipse climático na Amazônia, mas também organizações que atuam dentro do Brasil reconhecidamente a serviço de seus patrocinadores estrangeiros. Entre elas o Instituto Socioambiental (ISA), do qual já fez parte o atual presidente do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade e Conservação. Tal instituto é hoje responsável pela gestão das mesmas unidades de conservação agora leiloadas pelo ISA em sua página eletrônica (ver matéria abaixo), e para as quais são dirigidas os “patrocínios” do “mercado”.

Ainda que não existissem os fatos de que o Brasil reduziu o desmatamento da Amazônia em 52% nos últimos dois anos (uma grande vitória, já que no governo anterior os índices de desmatamento estavam fora de controle), de que implementou uma grande rede de monitoramento das queimadas, e de que tem investido cada ano mais em pesquisas realizadas por brasileiros sobre a floresta - ou seja, dos fatos que comprovam a efetividade do trabalho do governo brasileiro no combate ao desmatamento indiscriminado da Amazônia – porque o Brasil deixaria de “permanecer desconfiado do envolvimento estrangeiro na administração da Amazônia”? 

INTERESSES 

Não é novidade para ninguém o interesse fundamentalmente econômico, e não ambiental, do investimento de grupos estrangeiros na Amazônia. A cobiça sobre a região mais rica em biodiversidade do mundo. Para quê o país deixaria de estar “desconfiado” da pressão cada dia maior para a “proteção” estrangeira sobre a Amazônia?

O artigo do notório Rohter é mais uma demonstração de que precisamos estar atentos e agir com rigor na defesa das nossas riquezas.

MARIANA MOURA e ALEXANDRE SOUZA

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03/08/2007
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