Evo denuncia bancos pela
lavagem de US$ 500 bi em
dinheiro de drogas
“O tráfico de drogas em nível mundial mobiliza 500
bilhões de dólares por ano através dos bancos”, afirmou o presidente da
Bolívia, Evo Morales, pedindo aos senadores de seu país que aprovem leis para
eliminar o sigilo bancário dos narcotraficantes.
Evo sugeriu também aos representantes diplomáticos
acreditados na Bolívia a suspensão do sigilo bancário em todo o mundo e
“acabar com os paraísos fiscais, onde circulam bilhões de dólares, recursos
que provêm da ilegalidade. É muita hipocrisia pressionar dia e noite para
reprimir os pequenos camponeses que plantam a folha da coca para uso medicinal
e familiar, e que não ganham sequer para levar uma vida pobre, mas digna e
conviver com a indulgência para com a especulação e o narcotráfico”.
Em ato que comemorou o vigésimo aniversário da Força
Especial de Luta Contra o Narcotráfico na Bolívia, FELCN, o presidente
assinalou que “não dá para entender que esse esquema ilegal dos paraísos
fiscais, facilitado e armado por setores de governos de países do chamado
‘primeiro mundo’, movimente tanto dinheiro e que não haja instrumentos legais
desde as Nações Unidas, desde os órgãos internacionais, para controlar como se
financia o tráfico”.
“Nós, na Bolívia, não vamos dormir com esse barulho. Não
vamos aceitar que joguem para cima de nosso povo a responsabilidade por esse
crime”, acrescentou.
“O tráfico de drogas virou uma espécie de instrumento
político de controle, de chantagem e de ‘recolonização’ dos países em vias de
desenvolvimento”, advertiu Evo, chamando a comunidade internacional a
enfrentar o problema.
Morales se referiu também à política de erradicação das
plantações de coca que promove seu governo, de forma acordada e pacífica com
os produtores da folha, sem a utilização de paramilitares nem da violência
como fizeram governos anteriores.