Lei racista proíbe a
aquisição de terras por árabes israelenses
O deputado árabe-israelense
Jamal Zahalka condenou a passagem da lei no parlamento e alertou: “com leis
como essa o Estado de Israel afunda no atoleiro do apartheid”
O Parlamento
israelense aprovou projeto de lei que destina todas as terras sob controle do
Fundo Nacional Judaico (FNJ) exclusivamente aos judeus, chafurdando na
oficializando da discriminação e o apartheid do Estado de Israel contra os
não-judeus israelenses.
“Essa lei aprovada
pelo Knesset (parlamento) revela a verdadeira face do governo, que quer
institucionalizar o apartheid em Israel”, declararam os congressistas da
coalizão de oposição Meretz-Yachad.
Os partidos árabes,
Balad e Raam-Tal e Hadash (judeu e árabe), também denunciaram o risco da
legalização do “grande roubo de terras que continua desde 1948 até os dias de
hoje aos árabes-israelenses”.
“A passagem dessa
lei aponta para um crescimento do racismo e que o Estado de Israel afunda no
atoleiro do apartheid”, denuncio o deputado do partido Balad, Jamal Zahalka.
Como se sabe, a lei
básica do apartheid na África do Sul foi a que concedeu aos africâners o
direito, supostamente por inspiração divina, de roubar a terra dos negros.
Mas agora, de acordo
com o nazista que assinou a “lei”, o deputado Uri Ariel, os judeus têm, sim,
direito ao apartheid porque “por gerações” milhares deles “economizaram
centavo por centavo para comprar terra na Terra de Israel para o (sic) Povo
Judeu”. Imagine o sacrifício. Centavo por centavo, sem aplicar nos juros, nem
mesmo no lojinha... Então está explicado: apartheid “centavo por centavo”,
pode. Pois é, “centavo por centavo”, como em Dir Yassin.
A lei proposta pelos
partidos de direita Kadima e Likud proíbe os não-judeus de participar da
compra das terras de propriedade do FNJ, que controla 13% de todo o território
de Israel, a maioria entre as terras mais férteis..
“Por este caminho
Israel faz nova agressão contra a democracia, estimulando a discriminação e o
apartheid”, denunciou a vice-presidente do Parlamento Europeu, Luisa
Morgantini.
A lei é apenas mais
uma expressão do racismo em Israel e segue uma anterior que proíbe palestinos
casados com árabes de Israel de se mudarem para viver junto com seus consortes
em Israel. Outras manifestações da segregação são o constante confisco de
terras árabes (especialmente na Galiléia), discriminação nos orçamentos para
os municípios árabes, particularmente nos setores de educação e
infra-estrutura. Racismo contra o qual se insurge de forma cada vez mais ampla
a população árabe residente no país.
A principal data que
unifica as manifestações árabes é o Dia da Terra, no mês de março. Na
manifestação deste ano realizada na aldeia de Sakhnin (foto abaixo),, com
milhares de pessoas, o presidente da Alta Comissão dos Árabes de Israel,
Shauki Hatib, declarou: “este dia é um símbolo da luta contra a discriminação
e por nossos direitos legítimos, somos filhos desta terra e por esses direitos
estamos aqui”.