Capo Murdoch açambarca o
“Wall Street Journal” de olho no
centro da especulação
A compra da Dow
Jones - que divulga os índices da Bolsa de Nova Iorque e edita o jornal que é
porta-voz do capital financeiro nos EUA, o Wall Street Journal – por US$ 5,6
bilhões pelo monopolista da mídia Rupert Murdoch, foi anunciada na
quarta-feira, dia 1º de agosto.
Murdoch se
comprometeu a “não interferir editorialmente no Wall Street Journal (WSJ)” o
que quer dizer a não usar o periódico para divulgar informações que o leve a
açambarcar dinheiro e ações iludindo os demais jogadores na ciranda
financeira.
Um “compromisso”
realmente muito sério para quem inclui em sua folha de serviços - através de
órgãos sob seu controle (principalmente a Fox News) - a fraude que elegeu
Bush. A Fox News foi a primeira TV americana a anunciar que Bush tinha ganho a
eleição presidencial na Flórida em 2000, calçando a fraude que lhe permitiu
usurpar a Casa Branca.
Aliás, escroqueria
e serviços ao que há de mais sórdido no Império, foi a senda que lhe permitiu
chegar ao presente estágio em que tomou de assalto o WSJ da tradicional e
oligárquica família Bancroft.
Na aquisição do WSJ
e sua holding, a Dow Jones, Murdoch usou o estilo de proposta denominada de
“proposta hostil” em que o valor da compra é anunciado antes de qualquer
negociação para interferir na ações da empresa na bolsa. Assim, o anúncio do
fechamento do negócio – de forma unilateral por parte do Murdoch – fez com que
as ações da Dow subissem 11%. Recuar do negócio represenataria uma perda com a
queda nas ações que nem o setor da família Bancroft mais resistente à venda
estava mais disposto a arcar. Um fundo dos Bancroft que detinha 9% das ações
acabou cedendo e permitindo o fechamento da negociação depois que Murdoch já
tinha conseguido acertar a compra com os detentores de 29% dos votos. Os
acionistas que não pertencem à família, a exceção da família Ottawa, também
estavam determinados a fechar a venda.
Na folha de serviço
do escroque da mídia está o apoio descarado à agressão ao Iraque. Às vésperas
da invasão, afirmou em entrevista publicada por um dos seus jornais: “Nós não
podemos retroceder agora ou entregamos o Oriente Médio nas mãos de Sadam…
Penso que Bush está agindo de forma muito moral e muito correta e ele vai em
frente com isso”. “Acho que Tony [Blair] está sendo extraordinariamente
corajoso e forte”, disse ainda.
Seus jornais não
ficavam atrás. O New York Post publica, entre suas matérias e editoriais a
favor da guerra, artigo de um ex-agente do serviço secreto do exército dos
EUA, Ralph Peters, afirmando que o “impecável” Collin Powell estava fazendo um
“trabalho soberbo” e “revelando fortes evidências” que justificavam a guerra
contra o Iraque.