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Editorial
As labaredas ainda ardiam no
depósito de cargas da TAM e os “cansados da verdade” já afirmavam pelo rádio e
televisão que o Airbus A 320 deslizara sobre uma lâmina d’água formada na
pista de Congonhas, em virtude da falta do “grooving”.
O objetivo da fraude era
acusar o governo federal de haver liberado uma pista sem condições de
segurança e responsabilizar, com indignação estudada, o presidente Lula pelas
mortes ocorridas.
Sem qualquer escrúpulo,
compaixão ou respeito pelas vítimas da tragédia, repórteres e comentaristas
procuravam transformar os mortos e seus familiares em massa de manobra do
revanchismo golpista.
A Globo superou-se no
exercício da canalhice, durante a cobertura do episódio. Mas, para sermos
justos, é preciso reconhecer que neste caso não agiu sozinha.
A mídia das elites
endinheiradas tem suas razões para não gostar do presidente Lula. Não foi para
satisfazer à avidez egoísta dessa camada parasitária da sociedade que ele
recebeu 58.295.042 votos.
No entanto, ela não tem o
direito de manipular a opinião pública através de mentiras forjadas para
promover um clima de confrontação que atropele as instituições democráticas.
Não têm esse direito os
jornais, e muito menos as emissoras de rádio e televisão, pois todas são
“concessões públicas” e como tal é de se presumir que estejam obrigadas a
manter aquele mínimo de responsabilidade e decoro, que as impeça de
desinformar intencionalmente o público.
É bem possível que os
monopólios de mídia, desmoralizados e falidos quanto à credibilidade das
informações que veiculam, já não reúnam mais capacidade de agir de outra
forma. Seguramente, com o tipo de mercenários e dejetos que ora fazem
carreiras em suas redações essa é uma missão impossível.
Por isso, a democratização
da mídia se torna uma necessidade cada vez mais imperiosa na vida nacional.
Essa democratização se apóia
em três pilares.
O primeiro é a constituição
da Rede Pública Nacional de Rádio e Televisão – a TV Brasil.
O segundo é o reconhecimento
pelo governo do inestimável papel dos órgãos de imprensa livres e
independentes, entre os quais o HP se orgulha de estar incluído, e o
conseqüente fim da discriminação desses veículos no acesso às verbas
publicitárias oficiais.
O terceiro é garantir normas
e fiscalização adequadas, que coíbam a atual farra do boi nas concessões
públicas da área de radiodifusão.
Urge seguir avançando nas três
frentes.
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