Monopólio estrangeiro avança com compra das Telemig e
Amazônia
Com a posse das
empresas pela Vivo, a Telefónica Espanhola (também dona da Tim) passa a
dominar 58,66% da telefonia móvel
A aquisição da Telemig Celular e da Amazônia Celular pela Vivo, anunciada na quinta-feira, foi mais um passo dado pelos
monopolistas do setor de telecomunicações, nessa aberração que foi substituir
o controle público e nacional pelo capital privado estrangeiro em uma
concessão pública, engengrada com a privatização do Sistema Telebrás, em
1998.
Para a efetivação do
negócio, a Vivo pagou R$ 1,093 bilhão pela Telemig – com atuação em Minas
Gerais - e R$ 120 milhões pela Amazônia Celular - Pará, Amazonas, Maranhão,
Amapá e Roraima -, totalizando agora 35 milhões de usuários (32,88%) em sua
área de operação.
A Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) e o Conselho Administrativo e Defesa Econômica (Cade)
terão que se posicionar sobre a transação envolvendo as operadoras de
telefonia móvel. Uma condicionante apenas pró-forma, pois a atuação desses
órgãos tem se limitado em aplainar o caminho dos monopólios.
“Definitivamente, o Cade não tem imposto grandes restrições aos atos de
concentração na área de telecomunicações. Quais os objetivos? Claro, preservar
a concorrência em cada tecnologia e entre tecnologias. Todas as restrições
impostas nesses poucos casos foram, exclusivamente, comportamentais”, afirmou
Elizabeth Farina, presidente do Cade, durante o 9º Encontro Tele.Síntese,
realizado em março em São Paulo, cujo tema foi “Concentração e consolidação no
mercado de comunicações”. Pelas próprias palavras de sua presidente, o nosso
colossal órgão antitruste tem favorecido a concentração, isto é, em franca
oposição à concorrência que ela diz preservar. “Nos dois últimos anos, o Cade
analisou 116 atos de concentração na área de telecomunicações. 22 acabaram ou
não foram conhecidos ou por perda de objeto. Desses 116, 94 foram conhecidos e
analisados. Só cinco sofreram restrições; 89 foram aprovados sem restrições”,
disse.
Na Anatel, mesmo sob o
pretexto de apenas analisar a questão “regulatória”, as resoluções têm sido
assegurar o controle dos monopolistas no processo de concentração. Em recente
decisão, no serviço de TV por assinatura, a Anatel avalizou a compra da Vivax
pela Net com uma “restrição”: a devolução de uma das licenças em Santos (SP),
uma vez que a Net também operava no município. Contudo, todos os assinantes da
Vivax poderiam migrar para a Net. Alguma dúvida sobre a resolução da Anatel em
relação à sobreposição de licenças, na região Norte, da Vivo e da Amazônia
Celular? Devolução de uma das licenças, migração de clientes ...
Como é sabido, metade da
Vivo é controlada pela Telefónica – oficialmente espanhola, mas tendo por trás
os fundos de pensão norte-americanos -, que, ao empalmar recentemente a
holding detentora da Telecom Italia, passou ao controle da empresa de
telefonia celular TIM, do grupo italiano. Com isso, a Telefónica passa a
dominar agora nada menos que 58,66% da telefonia móvel do país.
Mas, o apetite monopolista
da Telefónica não se restringe à telefonia. Em março deste ano teve liberada
pela Anatel os serviços de TV por assinatura via satélite (DTH) para todo o
Brasil – serviço que já vinha operando desde novembro do ano passado, sem
licença prévia da Anatel, em associação com DTHi (Astralsat), na região de
Ribeirão Preto (SP). Em julho, foi consagrada a compra da TVA (grupo Abril),
anunciada em outubro do ano passado, por R$ 922 milhões. E está em disputa
judicial por serviços de WiMAX (banda larga sem fio).
Se o leitor preferir
acompanhar a concentração sob a ótica de outro monopólio, é só mudar a
Telefónica pela Telmex/América Móvil que vai dar na mesma, inclusive os fundos
de pensão norte-americanos por trás da empresa que é oficialmente mexicana. Aí
é só trocar a Vivo pela Claro, TVA pela Net. E, óbvio, acrescentar a Embratel
e 80% da Star One, dona dos satélites de comunicações Brasilsat B1, B2, B3 e
B4 e Star One C1, C2 e C12. Para registro, os 20% restantes são da
norte-americana General Electric (GE).
VALDO ALBUQUERQUE