1 2 3 4 5 6 7 8|Índice| Biblioteca|Assinatura|Expediente|Cartas|Não tropece na Língua
Envie sua carta: horadopovo@horadopovo.com.br | hp@webcable.com.br


Mídia golpista inconformada com alta popularidade de Lula

Para o povo, se ela está falando mal é porque o presidente da República é bom

A pesquisa do “Datafolha” sobre a popularidade do presidente Lula causou um charivari em certos redutos golpistas. Primeiro, o “Datafolha” é braço de um dos órgãos da mídia golpista, aliás, um dos principais (ainda que, é forçoso reconhecer, nem chegue perto daquele panfleto semanal fascista, financiado pelos racistas do apartheid). Mesmo assim, Lula saiu com popularidade intacta. Imagine o leitor se fosse uma pesquisa que seguisse critérios estatísticos científicos.

ÍNDICES

No meio desse tiroteio maluco que há meses ocupa jornais e TVs sob o nome de “crise aérea”, sobretudo após a queda do Airbus da TAM, apenas 15% dos pesquisados classificaram o governo de Lula como “ruim” ou “péssimo”. Enquanto isso, 48%, exatamente como há 4 meses, consideraram o governo “bom” ou “ótimo” - e 36% o qualificaram como “regular”.

É bastante provável que o percentual dos que aprovam o governo esteja subestimado. Esse tipo de “instituto de pesquisa” não foi feito para aferir os índices positivos dos líderes populares. Muito pelo contrário. Mesmo assim, o que importa aqui é a variação, e não houve metodologia nem pergunta viciada que conseguisse empurrar Lula para baixo. O que nos leva à segunda questão.

Não tem coisa ruim neste país que essa mídia não atribua a Lula. Desde a queda de um avião que foi derrubado na Floresta Amazônica por dois americanos irresponsáveis até o desastre de São Paulo, passando pelo suposto perigo de extinção do bagre dourada ou do boto cor-de-rosa (não é brincadeira, leitor, pode conferir os doutos artigos da sexóloga aquática Miriam Leitão).

No entanto, nada adianta. A credibilidade do presidente continua inabalável. Naturalmente, essa gente se acostumou a derrubar, a difamar, a jogar lama em quem lhes interessa derrubar, difamar e jogar lama. Só que, agora, em relação a Lula, isso não tem o menor efeito.

Interessantes são as suas explicações para o fenômeno. Segundo eles, o problema é que a maioria da população é pobre, inculta, analfabeta ou semi-analfabeta e, além de não ter pós-graduação nem ser proprietária de jornal ou TV, ainda por cima, não viaja de avião. Portanto, a população é um bando de beócios que se ilude com o populismo de Lula. O que, como veremos, é mera projeção. Atribuem, na verdade, a sua própria estupidez ao povo, que não tem nada a ver com isso.

Seria demais esperar que eles percebessem que o problema é a sua própria credibilidade. Evidentemente, toda a conversa sobre a incrível, a fantástica, a extraordinária, a absurda popularidade de Lula, é apenas uma folha de parreira para esconder o que é óbvio: ninguém – exceto um pequeno ajuntamento de entreguistas, trogloditas da época de Penaboto e mal-amadas lacerdistas tardiamente exumadas – acredita no que eles dizem em relação a Lula, e essa falta de credibilidade avança como água em papelão. Hoje, não é somente em relação a Lula que não se acredita neles.

A popularidade do presidente está onde deve estar – e deve aumentar, com a aceleração do crescimento. A da mídia golpista é que, para usar uma expressão de Gregório Bezerra, cresce como rabo de cabra – somente para baixo. As pessoas acreditam no que Lula fala. E não acreditam no que diz essa mídia.

Mas não é porque a maioria é pobre que isso acontece: é porque são inteligentes. Antes de tudo, segundo o próprio “Datafolha”, somente 32% da faixa superior de renda avaliada pelo instituto (“mais de 10 salário mínimos”) acham que o governo Lula é “ruim” ou “péssimo”. Outros 32% o avaliam como “bom” ou “ótimo” e 36% o classificam como “regular”, camada que tende a se somar sobretudo aos últimos, pois é uma faixa que, ainda que algo intimidada, se caracteriza por resistir a acompanhar a mídia golpista, ao contrário dos primeiros.

Portanto, ter uma renda maior não é sinônimo de burrice reacionária. Não são somente os pobres ou muito pobres que aprovam o governo Lula.

Fora isso, é claro que o sujeito, pobre ou rico, precisa ser, aí, sim, um beócio ou capadócio, para acreditar que Lula derrubou o avião da TAM, o da GOL, ou está construindo hidrelétricas no rio Madeira não para gerar energia, mas para atrapalhar a vida sexual do boto cor-de-rosa.

CORIFEUS

Mas é assim que são os corifeus da mídia golpista, capazes de dizer qualquer coisa, e até de acreditar nelas. E depois ainda se queixam, como uma dinâmica colunista o fez recentemente, de que sua manicure lhe disse que, na sua terra, “se falar mal do Lula, apanha”. Que que se pode fazer, senão registrar que a manicure tem mais juízo – isto é, mais cérebro - do que sua cliente?

CARLOS LOPES
 

Voltar

Paginas: 1 2  3  4  5  6  7  8

Páginas desta edição 
1 2 3 4 5 6 7 8
Índice
 Biblioteca
1992 2000
1993 2001
1994 2002
1995 2003
1996 2004
1997 2005
1998 2006
1999 2007
Matérias Especiais
Cartas
Assinatura

Caderno Especial

O assassinato de Máximo Gorki

1 2

Caderno Especial Historia do PCUS

1 2
Expediente