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Mídia golpista inconformada com alta popularidade de Lula
Para o
povo, se ela está falando mal é
porque o presidente
da República é bom
A pesquisa do “Datafolha” sobre a popularidade do
presidente Lula causou um charivari em certos redutos golpistas. Primeiro, o
“Datafolha” é braço de um dos órgãos da mídia golpista, aliás, um dos
principais (ainda que, é forçoso reconhecer, nem chegue perto daquele panfleto
semanal fascista, financiado pelos racistas do apartheid). Mesmo assim, Lula
saiu com popularidade intacta. Imagine o leitor se fosse uma pesquisa que
seguisse critérios estatísticos científicos.
ÍNDICES
No meio desse tiroteio maluco que há meses ocupa jornais
e TVs sob o nome de “crise aérea”, sobretudo após a queda do Airbus da TAM,
apenas 15% dos pesquisados classificaram o governo de Lula como “ruim” ou
“péssimo”. Enquanto isso, 48%, exatamente como há 4 meses, consideraram o
governo “bom” ou “ótimo” - e 36% o qualificaram como “regular”.
É bastante provável que o percentual dos que aprovam o
governo esteja subestimado. Esse tipo de “instituto de pesquisa” não foi feito
para aferir os índices positivos dos líderes populares. Muito pelo contrário.
Mesmo assim, o que importa aqui é a variação, e não houve metodologia nem
pergunta viciada que conseguisse empurrar Lula para baixo. O que nos leva à
segunda questão.
Não tem coisa ruim neste país que essa mídia não atribua
a Lula. Desde a queda de um avião que foi derrubado na Floresta Amazônica por
dois americanos irresponsáveis até o desastre de São Paulo, passando pelo
suposto perigo de extinção do bagre dourada ou do boto cor-de-rosa (não é
brincadeira, leitor, pode conferir os doutos artigos da sexóloga aquática
Miriam Leitão).
No entanto, nada adianta. A credibilidade do presidente
continua inabalável. Naturalmente, essa gente se acostumou a derrubar, a
difamar, a jogar lama em quem lhes interessa derrubar, difamar e jogar lama.
Só que, agora, em relação a Lula, isso não tem o menor efeito.
Interessantes são as suas explicações para o fenômeno.
Segundo eles, o problema é que a maioria da população é pobre, inculta,
analfabeta ou semi-analfabeta e, além de não ter pós-graduação nem ser
proprietária de jornal ou TV, ainda por cima, não viaja de avião. Portanto, a
população é um bando de beócios que se ilude com o populismo de Lula. O que,
como veremos, é mera projeção. Atribuem, na verdade, a sua própria estupidez
ao povo, que não tem nada a ver com isso.
Seria demais esperar que eles percebessem que o problema
é a sua própria credibilidade. Evidentemente, toda a conversa sobre a
incrível, a fantástica, a extraordinária, a absurda popularidade de Lula, é
apenas uma folha de parreira para esconder o que é óbvio: ninguém – exceto um
pequeno ajuntamento de entreguistas, trogloditas da época de Penaboto e
mal-amadas lacerdistas tardiamente exumadas – acredita no que eles dizem em
relação a Lula, e essa falta de credibilidade avança como água em papelão.
Hoje, não é somente em relação a Lula que não se acredita neles.
A popularidade do presidente está onde deve estar – e
deve aumentar, com a aceleração do crescimento. A da mídia golpista é que,
para usar uma expressão de Gregório Bezerra, cresce como rabo de cabra –
somente para baixo. As pessoas acreditam no que Lula fala. E não acreditam no
que diz essa mídia.
Mas não é porque a maioria é pobre que isso acontece: é
porque são inteligentes. Antes de tudo, segundo o próprio “Datafolha”, somente
32% da faixa superior de renda avaliada pelo instituto (“mais de 10 salário
mínimos”) acham que o governo Lula é “ruim” ou “péssimo”. Outros 32% o avaliam
como “bom” ou “ótimo” e 36% o classificam como “regular”, camada que tende a
se somar sobretudo aos últimos, pois é uma faixa que, ainda que algo
intimidada, se caracteriza por resistir a acompanhar a mídia golpista, ao
contrário dos primeiros.
Portanto, ter uma renda maior não é sinônimo de burrice
reacionária. Não são somente os pobres ou muito pobres que aprovam o governo
Lula.
Fora isso, é claro que o sujeito, pobre ou rico, precisa
ser, aí, sim, um beócio ou capadócio, para acreditar que Lula derrubou o avião
da TAM, o da GOL, ou está construindo hidrelétricas no rio Madeira não para
gerar energia, mas para atrapalhar a vida sexual do boto cor-de-rosa.
CORIFEUS
Mas é assim que são os corifeus da mídia golpista,
capazes de dizer qualquer coisa, e até de acreditar nelas. E depois ainda se
queixam, como uma dinâmica colunista o fez recentemente, de que sua manicure
lhe disse que, na sua terra, “se falar mal do Lula, apanha”. Que que se pode
fazer, senão registrar que a manicure tem mais juízo – isto é, mais cérebro -
do que sua cliente?
CARLOS LOPES
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