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Renan: “Veja” quer é abafar sua “nebulosa transação com empresa estrangeira”

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) encaminhou na segunda-feira uma carta a todos os senadores afirmando que os novos “pseudo escândalos”, inventados por “Veja” no último final de semana, são uma tentativa de esconder uma negociata bilionária do Grupo Abril.

Pela mais recente acusação de “Veja”, o presidente do Senado teria participado ilegalmente da compra de uma rádio e um jornal através de laranjas (por lei, como senador não poderia adquiri-los) pagando R$ 1,3 milhão - valor superior ao patrimônio declarado por Renan à Receita Federal, na época em que foi consumado o negócio.

O senador informou também na segunda-feira que a abertura de investigação sobre o caso Mônica Veloso pelo STF foi em atendimento a um pedido seu. “Há mais de 15 dias eu pedi ao procurador que me investigasse. Vocês não noticiaram porque não quiseram, mas eu mandei carta ao procurador pedindo a investigação para que eu mostrasse a minha verdade”, disse Renan aos jornalistas.

Leia a íntegra da carta:

“Prezada amigo(a),

Como é notório, uma revista semanal, sem limites éticos e qualquer critério jornalístico, travestida de tribunal político, vem difundindo inverdades, tentando desonrar o mandato que me foi legitimamente outorgado pelo povo de Alagoas, e dificultar a minha permanência na direção da Casa.

Reafirmo a Vossa excelência que sempre preservei a dignidade do cargo que ocupo.

Jornalistas e repórteres são as mais expressivas testemunhas do meu respeito pela liberdade de imprensa. No entanto, reajo com veemência a essas reiteradas torpezas.

É nítido o propósito da revista de manter aceso, artificialmente, o pseudo-escândalo por ela mesma criado. Como as primeiras acusações já foram por mim rebatidas definitivamente, agora fabricam outras, no embalo das maledicências provincianas e do ressentimento dos derrotados.

A derradeira frustração foi tentar me envolver numa negociação da Schincariol em Alagoas, quando logo ficou claro que nada tenho a ver com a empresa vendida.

Dessa vez, além da capa, a revista reservou generosas páginas para destilar vilanias. E mais uma vez mentiu.

Grande parte da Nação está curiosa. Quer saber o que está por trás de tudo isso, desta voraz e contínua tentativa de linchamento moral. Desses ataques que não cessam.

Patriotismo? Compromisso ético com a lisura e o comportamento dos homens públicos? Ou, quem sabe, usar-me como cortina de fumaça para que, por suas sombras, acabe por ser celebrada uma nebulosa transação de cerca de R$ 1 bilhão, envolvendo a venda de uma concessão de canal de televisão pelo Grupo Abril, proprietário da revista Veja, a uma empresa estrangeira?

Este, sim, um assunto que verdadeiramente interessa à sociedade brasileira. Talvez fosse o caso de investigar o negócio bilionário que se deseja manter na obscuridade.

Ninguém ignora o poder dessa gente. Aliás, poder ostensivamente demonstrado na série interminável de reportagens infamantes, editadas para garantir que detalhes sórdidos da operação não venham à tona.

De minha parte, asseguro a vossa excelência que tanto no plano ético quanto no plano moral nada devo.

Não irei decepcioná-lo (a).

Afetuosamente,

Senador Renan Calheiros” 

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