TAM e Gol têm lucro
5 vezes além do normal
“Observamos quatro grandes
focos da crise: a concorrência desleal das nacionais sobre as regionais, uma
concentração das malhas em 85% para TAM e Gol, o excessivo crescimento líquido
de ambas as empresas e, por fim, a concentração de quase toda a malha aérea em
São Paulo”, afirmou o professor de gestão de riscos da Universidade Federal
Fluminense (UFF) Gustavo Cunha Mello.
Para ele “o problema é que
no Brasil quem tem feito a gestão são as empresas apenas”. Enquanto outras
empresas de aviação têm margem de lucro de 1,7 a 5,5%, a Gol praticou em 2006
uma margem de 9,2% e a TAM de 7,6%.
“Aqui, as nacionais, como a
TAM e a Gol, operam também em linhas regionais, que dão prejuízos, mas ficam
para garantir a predominância do mercado, destruindo as empresas regionais. As
grandes não têm frotas nem tripulação suficientes para operações regionais e
nacionais. Acabam causando panes freqüentes e outros problemas. Tudo porque as
grandes querem engolir as pequenas. E ninguém regula isso”, afirmou.
A alegação de que o
redirecionamento dos vôos iria encarecer o transporte aéreo, para Mello, não
faz sentido. “Não vão subir os custos se os vôos forem para Galeão, Confins
(Belo Horizonte), Afonso Pena (Porto Alegre) ou outro. O ICMS que incide no
querosene de aviação, item que significa 30% do custo médio dos vôos, custa
25% em São Paulo, mas cai para 4% no Rio e 3% em Belo Horizonte”, lembrou.