Hiroxima e Nagasaki, 1945:
Estados
Unidos perpetram única agressão nuclear a outro Estado
Japão homenageou as
centenas de milhares de vítimas do ataque nuclear dos Estados Unidos às
cidades de Hiroshima e Nagasaki, em 1945. “O governo do Japão deve dizer não à
política dos Estados Unidos, que é obsoleta e errônea”, afirmou o prefeito de
Hiroshima, no dia 6, em solenidade no Parque da Paz
No dia 6 de agosto,
o Japão prestou homenagem às centenas de milhares de vítimas dos ataques
nucleares perpetrados pela casta imperialista dos Estados Unidos, há 62 anos,
nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Reuniram-se no Parque da Paz, em
Hiroshima, próximo ao epicentro da bomba, 45 mil pessoas para lembrar a data e
denunciar um dos mais covardes crimes da história. Até hoje, o único Estado
que atacou outro com bombas nucleares foi os EUA.
Em discurso à população de Hiroshima, o prefeito
Tadotoshi Akiba afirmou que “os seres humanos ainda estão sob ameaça de
destruição, porque um pequeno número de dirigentes segue dando as costas à
realidade atômica e às mensagens dos sobreviventes”. “O governo do Japão deve
dizer não à política dos Estados Unidos, que é obsoleta e errônea”.
“As tragédias de Hiroshima e Nagasaki nunca devem se
repetir em qualquer lugar da terra”, discursou o primeiro-ministro do Japão,
Shinzo Abe.
A bomba atômica lançada sobre Hiroshima em 1945 destruiu
cerca de 60% da área total da cidade, e em poucos segundos matou 140 mil
pessoas, em sua grande maioria civis, homens comuns, crianças, mulheres e
idosos. Estima-se que o número de mortos duplicou durante os meses seguintes,
com os sobreviventes sucumbindo aos ferimentos, queimaduras, mutilações e
doenças provocadas pela radiação.
Prédios, casas, hospitais, escolas e vegetação
desapareceram. Num raio de dois quilômetros do epicentro da explosão tudo foi
destruído. Ainda hoje, as seqüelas da contaminação radioativa fazem milhares
de vítimas. No Memorial de Hiroshima, se inscrevem novos nomes de falecidos a
cada ano e o número total já se aproxima de um milhão.
A bomba foi lançada sobre Hiroshima em 6 de agosto, e
três dias depois realizaram novo ataque sobre a cidade de Nagasaki,
assassinando mais 70 mil pessoas no primeiro momento. A bomba lançada sobre
Nagasaki era maior e mais potente e só teve efeito menos devastador pelas
características da cidade. A maioria das vítimas morreu derretida ou queimada
instantaneamente.
Os ataques foram ordenados pelo então presidente
norte-americano, Harry Truman, ao fim da 2º Guerra Mundial. A Alemanha já
havia se rendido - em 7 de maio de 1945 -, o exército japonês estava
derrotado, a marinha e a força aérea nipônica tinham deixado de existir como
força operacional.
Já após a guerra, no dia 1 de julho de 1945, em meio a
Conferência de Potsdam, os Estados Unidos iniciaram as ameaças nucleares com a
realização do primeiro teste. A política externa de respeito à soberania dos
povos, busca de entendimento e cooperação com a URSS, que inclusive levara
Roosevelt à guerra contra o Eixo, cede lugar ao velho intervencionismo e à
recém-inaugurada chantagem nuclear.
As ameaças de Truman se intensificaram cada vez mais: “Se
eles não aceitam os nossos termos, podem esperar uma chuva de ruína vinda do
ar nunca antes vista nesta terra”.
Dentro dos Estados Unidos, os principais colaboradores de
Roosevelt foram sendo afastados das posições que ocupavam no governo, e
iniciou-se um processo de perseguições contra o movimento sindical e a
intelectualidade democrática. Na política externa as intenções criminosas
prosseguiram, então, contra a União Soviética, e o mesmo comando militar que
determinou o crime no Japão planejou lançar 300 bombas sobre a URSS. Em 1949 o
governo dos EUA aprovou o plano “Dropshot”, que previa o despejo de 300 bombas
atômicas e 250 mil toneladas de bombas convencionais sobre Moscou, Leningrado,
os Urais, o Mar Negro, o Cáucaso, Arkhangelsk, Tashkent, Alma Ata, Baiakl e
Vladivostok. Somente sobre a região do Mar Negro seriam despejadas 32 bombas
atômicas. O plano não foi efetivado porque nem assim os generais ianques
conseguiram garantir “vitória” sobre o exército soviético.
Os EUA são o país que mais possui armas nucleares no
mundo, com milhares de ogivas no seu próprio território e outras milhares nas
suas bases no exterior, nos seus porta-aviões e submarinos nucleares com o
objetivo de fazer com que os outros países, os povos independentes se
submetam. Ao mesmo tempo em que se armam, pressionam com cinismo todos os
governos que busquem desenvolver projetos pacíficos de energia nuclear.
JÚLIA CRUZ