Metroviários de SP repudiam “terrorismo e perseguição”
Sindicato denuncia que “greve foi provocada por
proposta indecente e discriminatória que acaba com a Participação nos
Resultados paga igualmente para todos”. “Esta é uma conquista de mais de 10
anos da categoria e não abriremos mão”, afirma Flávio Godoi
“Quem provocou a greve dos metroviários realizada nos dias 2 e 3 de agosto foi o governador Serra, na figura do seu
secretário dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, José Luiz Portella, ao
anunciar que a Companhia passaria a pagar a Participação nos Resultados (PR)
de acordo com o salário de cada metroviário e não mais igualmente, como era
feito. Em detrimento de 7.000 trabalhadores, o Metrô privilegiou os altos
salários”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metroviários, Flávio Godoi.
O líder sindical denunciou
que “a proposta é indecente e discriminatória, pois viola uma conquista de
mais de dez anos, que é a Participação paga igualmente para todos”. Agora,
frisou, “o governo quer colocar em prática a proporcionalidade sobre os
salários, que iria beneficiar em torno de 500 pessoas – que eles chamam de
cargo de confiança do Metrô, e ganham de 10 a 12 mil por mês, enquanto a
grande massa iria receber de quatro a cinco vezes menos”.
REDUÇÃO
“R$ 4 milhões seriam
divididos entre os aproximadamente 500 engenheiros, diretores, outros cargos
de confiança e profissionais liberais, enquanto R$ 20 milhões seriam divididos
entre os outros 7.000 metroviários que ganham em média R$ 2.000,00 por mês.
Pela proposta do Metrô, a PR deste ano seria bem inferior à recebida no ano
passado”, alertou.
“Uma semana antes de
decretarmos a greve, ela foi anunciada no Jornal do Usuário, que é um
informativo da categoria, esclarecendo as razões do movimento à população. E
72 horas antes, publicamos um edital em jornal de grande circulação, como
determina a Constituição Federal, em seu artigo 9º e a Lei nº 7.783/89 - que
assegura o direito de greve a todo trabalhador, quando não há entendimento do
patrão (no nosso caso o governo) com os representantes do Sindicato”,
esclareceu Godoi.
O sindicalista sublinhou que
“a categoria reivindica o pagamento da Participação nos Resultados com base em
uma folha e meia de pagamento distribuída de forma igual para todos. No
entanto, a empresa se propôs a pagar uma folha de pagamento de forma
proporcional, privilegiando os cargos de chefia. O Metrô propõe também uma
antecipação de apenas R$ 800,00 a ser paga em 1º de setembro, deixando o
restante para ser negociado somente em fevereiro de 2008”.
NEGOCIAÇÃO
“O período de negociação da
PR com a direção do Metrô era sempre de agosto a julho de outro ano. Mas, no
ano passado, fizemos uma negociação diferente com a empresa – para fechar o
ano de 2006, onde zeramos. Com a mudança, o período do pagamento da PR é de
dezembro de 2006 a janeiro de 2007. Só que agora, além do governo não cumprir
o acordado, quer implementar a proporcionalidade, que jamais iremos aceitar”,
denunciou Godoi. Entre as metas absurdas impostas pelo governo tucano para os
trabalhadores receberem a PR, exemplificou, está a que “prevê a redução da
criminalidade no sistema, como se isso dependesse dos metroviários para ser
atingida” ou a que prevê a “conclusão e entrega das obras da Linha 4 -
Amarela”.
DESEMPENHO
Segundo o líder metroviário,
“as 61 demissões representam uma atitude de retaliação do governo do Estado e
do Metrô para tentar nos intimidar. Alegam mal desempenho destes
profissionais, o que criou um clima de revolta e terrorismo incompatível com
as mínimas condições necessárias para que os metroviários prestem seus
serviços. Ocorre que, estes trabalhadores, em sua absoluta maioria, possuem
mais de 15 anos de serviços prestados à população e, depois da greve dos dias
2 e 3 de agosto, simplesmente deixaram de ser considerados eficientes”.
“As pesquisas de opinião
pública conferem ao Metrô índices de aceitação em torno de 95%, ficando à
frente de serviços públicos como dos Bombeiros, Correios e Poupa Tempo. Esta
qualidade está vinculada à dedicação e empenho dos metroviários em prestar o
melhor serviço possível à população, mesmo trabalhando com excesso de carga
horária, para suprir uma defasagem de 30% no quadro de seus funcionários que
transportam três milhões de passageiros por dia”, destacou.
DESASTRE
De acordo com Godoi, “depois
de dois dias de greve e de um julgamento desastroso para os trabalhadores no
TRT, a campanha pela antecipação da PR e contra a proporcionalidade que
privilegia os altos salários não terminou. A disposição de luta dos
metroviários pelo seu direito permanece. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT)
julgou abusiva a greve realizada pelos metroviários e determinou o pagamento
de uma multa de R$ 100 mil por dia parado e de 5% de uma folha e meia de
salário, por considerar litigância de má-fé por parte do Sindicato e o
desconto dos dias parados”.
MOBILIZAÇÃO
“Diante de tudo isto, a
categoria metroviária vai continuar mobilizada, em unidade, e organizada para
garantir seu direito pela Participação nos Resultados. O nosso Sindicato é uma
entidade forte e de luta, não só pela defesa dos direitos de sua categoria,
mas do cidadão. Tanto é que participamos da luta contra a emenda 3 e pela
manutenção do veto do presidente Lula. Vamos montar um movimento unificado com
outros servidores, porque esta lula não é só dos metroviários. Seguiremos em
frente, até pôr um fim nessa política de estado mínimo do PSDB, que vem na
contramão dos interesses do povo e dos trabalhadores”.
ADEMAR COQUEIRO