Casa Branca sabia há dois anos que a ponte tinha
problemas estruturais
“Claramente precisamos
entender o que aconteceu aqui, as pontes na América não podem cair”, afirmou,
minutos após a queda da ponte sobre o rio Mississipi na cidade de Minneapolis,
Estado do Minnesota, a representante do governo Bush na área de transportes,
Mary Peters. Ela acrescentou que o governo fez tudo de “forma apropriada”.
Ao visitar a área da ponte
destruída no sábado, dia 4, W. Bush, garantiu ao povo americano que “as pontes
dos EUA são seguras”.
Depois das declarações
desastrosas da representante do governo e do próprio Bush, aliás um dia
depois, com a indignação crescendo em todo o país, a Casa Branca admitiu que a
ponte havia apresentado problemas estruturais em uma revisão realizada há dois
anos. A ponte obteve apenas 50 pontos, em uma escala de 120 utilizada para
medir a segurança da estrutura.
Um relatório de engenharia
civil dos EUA apurou que 27% das pontes do país não são seguras. O presidente
da Sociedade Americana de Engenheiros Civis, Bill Marcuson, escreveu: “O
estado ruinoso de nossa infra-estrutura representa uma ameaça real para a
segurança pública e a economia do país”, poucos dias antes do desabamento da
ponte na quarta-feira, dia 1º, que matou pelo menos cinco mortos e há oito
desaparecidos, além de 80 feridos.
Há dois anos, a ASCE
produziu um relatório avaliando toda a “precária” infra-estrutura do país,
dando-lhe péssimas notas, e as pontes em estrada e rodovias foram as que se
saíram pior. No relatório de 2005 a ASCE classificou 160.570 pontes
rodoviárias dos EUA (27,1%) como “estruturalmente deficiente ou funcionalmente
obsoletas” – em outras palavras, em perigo de desabar. Nada disso mobilizou o
governo de Bush a investir nos reparos em infra-estrutura das pontes dos EUA.