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Daniel Ortega mantém entendimento com Lula para a utilização de etanol 

“Ontem conversamos com Lula sobre um tema sobre o qual alguns gostariam de nos ver brigando. Dizem que vamos brigar por causa do etanol! A verdade é que não temos nada que brigar, porque conversamos sobre o tema e Lula nos deu mais informações sobre o esforço que vem fazendo o Brasil nesse campo”, afirmou Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, durante a visita oficial que realizou Luiz Inácio Lula da Silva a Manágua, no dia 8 passado.”

“Temos que trabalhar nesta direção para que se possa incorporar o etanol como complemento do combustível de uso veicular”, acrescentou Ortega.

Ele esclareceu que sua divergência é com a política de George W. Bush. “É inadmissível que a Nicarágua produza etanol derivado da produção de milho, porque é atentar contra um produto básico na alimentação do povo nicaragüense. Além de levar ao espaço o preço do grão, pretende colocar as nossas economias ao seu dispor”, assinalou.

“Sentimo-nos muito contentes de estar recebendo esta Delegação do mais alto nível do povo irmão do Brasil. Todos conhecemos a situação difícil que herdamos no nosso país, depois de 16 anos. Durante esse tempo agiu o neoliberalismo em sua forma mais crua, se privatizou a educação, a saúde, a energia”, assegurou o presidente Ortega, revelando que “a Nicarágua é possivelmente o país da América latina com mais baixa geração de energia. Todos os países centro-americanos estão acima dos mil megawatts em geração de energia e nós só temos 450 megawatts; isso implica que tenhamos 8 horas diárias de apagões”.

ALIANÇAS

“O Brasil pode fazer muitas alianças com a Nicarágua sem ter a menor visão hegemônica. Essa hegemonia foi a que nos levou a ser colonizados por tantos anos. Queremos soberania, e governar a partir da nossa consciência, é com este espírito que estou nesta região”, enfatizou o presidente brasileiro.

“Faremos tudo o que esteja ao nosso alcance e não mediremos esforços para oferecer financiamento para investir na construção de hidrelétricas. Estamos dispostos a ser sócios para que a Nicarágua resolva definitivamente seu problema de energia”, porque um país que  necessita “se desenvolver e gerar empregos não pode continuar com apagões de oito horas por dia”, afirmou Lula.

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