Mercadante condena
obstrução do PSDB e ex-PFL para impedir que o presidente do Senado se defenda
O senador Aloizio
Mercadante (PT/SP) condenou em discurso na tribuna, na última terça-feira, a
obstrução das votações deflagrada pela minoria no Senado, tendo como pretexto
a permanência do senador Renan Calheiros (PMDB/AL) como presidente da Casa.
Mercadante ressaltou que “há uma agenda de urgência, em face do momento
econômico que atravessamos” que não pode ser adiada por razões que não dizem
respeito ao cumprimento das normas regimentais.
“O presidente Renan
Calheiros encaminhou à procuradoria-geral da República um pedido para que
fosse investigado e o procurador deu início a uma investigação no Supremo
Tribunal Federal. O ministro do Supremo já tomou providências em relação à
investigação e há uma perícia da Polícia Federal em andamento que não foi
concluída, não por um ato do Senado, mas porque é um trabalho complexo, que
será apresentado ao Conselho de Ética e absolutamente indispensável no
processo da peça acusatória”, assinalou o senador.
Segundo Mercadante,
apesar de ser um instrumento legítimo da minoria, “precisamos qualificar a
obstrução” que está sendo feito pela oposição. “O processo de investigação tem
de ser feito, tem de ser transparente, mas tem de haver o devido processo
legal e direito de defesa”, advertiu.
O senador lembrou
ainda que, ao mesmo tempo em que a oposição pede pressa na conclusão do
processo, apresenta mais requerimentos para que novas investigações sejam
iniciadas. Citando o caso da concessão das rádios em Alagoas, Mercadante
ressaltou que “no mesmo dia em que entrou com essa representação” no Conselho
de Ética, a minoria “deflagrou uma obstrução. Ora, a investigação tem de ser
feita, o devido processo legal tem de ser cumprido. Terá de ser nomeado um
relator, terão de ouvir testemunhas, colher provas”, assinalou.
Ao concordar com
Mercadante, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB/SE) assinalou que, de
forma normal, a obstrução acontece quando existem projetos em tramitação na
Casa com os quais a oposição não concorda. “Não é o caso. Há uma decisão
política em face de assuntos que estão sendo tratados no Conselho de Ética,
que, pelo menos neste momento, não está sendo agredida nem atacada”, ponderou.
Segundo Valadares, o trabalho do conselho está em pleno andamento e “a pressão
será indevida na medida em que apressemos a finalização daquilo que está sendo
discutido naquele Conselho”.
O líder do governo
no Senado, Romero Jucá (PMDB/RR), alertou que há na pauta uma série de
matérias relevantes socialmente para o país. “No que tange à obstrução,
registro um apelo à oposição. Temos um entendimento: duas sessões para que a
matéria seja discutida. O prazo acaba na quinta-feira. Portanto, espero que,
até lá, possamos votar (essas) matérias importantes”, disse.