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Deputado Simão Pedro denuncia negligência nas obras da Linha 4:

“O governo e o Metrô de SP contam com a sorte para prevenir novos acidentes”

O diretor do Sindicato dos Metroviários Manuel Xavier Filho caracterizou como “temerário o jeito como estas obras continuam sendo executadas”

Passados sete meses da cratera que engoliu sete pessoas, e desalojou mais de 200, outro buraco se abriu em função das obras na linha 4 do Metrô paulista e, apenas uma semana depois, a região já estava liberada para o trânsito. O novo buraco, e a quase imediata retomada das obras, revela como o governo do Estado trata a segurança da população. Não só não foram tomadas medidas efetivas para garantir a segurança na condução das obras como ninguém foi responsabilizado até agora pelas mortes ocorridas na tragédia de 12 de janeiro.

O governo manteve o contrato “porteira fechada”, em que as próprias empresas que constroem o túnel são responsáveis pela fiscalização da obra. Os laudos do Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT) para liberar a continuação das obras começaram a sair menos de um mês depois da primeira cratera, já o que investiga as causas da tragédia está previsto só para daqui a dois meses. E a Comissão Parlamentar de Inquérito que deveria investigar as irregularidades apontadas pelos técnicos na época está sendo barrada pela bancada governista na Assembléia Legislativa.

“Até hoje, não há nenhuma informação esclarecedora para a população, revelando como o governo Serra ignora as pessoas e se comporta como se a tragédia não tivesse ocorrido”, denunciou o deputado Simão Pedro, líder da bancada do PT na Assembléia de São Paulo. “O governo quer cumprir rigorosamente o cronograma das obras para beneficiar o consórcio privado, em detrimento da segurança da população”, disse. Desde o desabamento, ocorrido há sete meses, Simão Pedro tem acompanhado as investigações. Segundo o parlamentar, o governo Serra deixou de cobrar o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) pelos laudos das causas do acidente, mas exigiu pressa nos laudos que liberam outros locais para a obra.

Um grupo de deputados também procurou o IPT para prestar solidariedade e demonstrar que não vai aceitar a pressão política do governo para evitar as investigações.

A região em torno do primeiro buraco permanece interditada. Segundo o Metrô, 27 pessoas ainda estão em hotéis, e as obras seguem em ritmo acelerado. “Os técnicos do Metrô continuam não fiscalizando a construção da Linha 4, o contrato de ‘turn key’ segue a todo vapor e é temerário o jeito como as obras continuam sendo executas”, denuncia o diretor do Sindicato dos Metroviários Manuel Xavier Lemos Filho.

Segundo Xavier, “a Mafei Engenharia, empresa que já vinha prestando consultoria ao Consórcio Via Amarela antes do acidente, e que foi designada para realizar um estudo sobre as causas do problema, ainda continua lá”. “Não tivemos acesso ao relatório que foi emitido pela empresa, mas questionamos a eficácia da sua atuação, uma vez que a mesma já estava acompanhando os trabalhos e não foi capaz de detectar os problemas e evitar o acidente”, denuncia.

A previsão é de que os estudos sejam concluídos lá para meados de outubro. “Mas o IPT tem cerca de um mês para elaborar e divulgar o relatório, o que deve ocorrer mais ou menos na metade de novembro”, explica a assessoria de imprensa do IPT.

Enquanto isso, um novo buraco se abriu sobre o túnel. De acordo com o Consórcio, o ‘megatatuzão’, aparelho utilizado para escavar o buraco por onde passarão os trens, encontrou uma “bolha de ar”. Mas o deputado Simão Pedro afirma que tem informações de que houve vazamento de água, devido ao atropelamento dos encanamentos pela obra e a necessidade de enxertos de terra.

Para o deputado, os procedimentos são irregulares e revelam a pressa e negligência da obra. “O governo e o Metrô apostam na sorte para que não ocorram outros incidentes”, adverte.

Até porque, numa rua movimentada como a rua dos Pinheiros, em que passam não apenas automóveis particulares mas diversas linhas de ônibus, outra tragédia poderia facilmente ter acontecido. Da mesma forma que, como a fissura no asfalto aconteceu de frente para prédios de apartamentos, poderia – e pode ainda – comprometer as fundações.

JOSI SOUSA 

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17/08/2007
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