Chávez apresenta projeto de reforma da Constituição à
Assembléia Nacional
‘Mudanças abrem a nova
etapa da Venezuela Bolivariana e
Socialista’
“Vamos reeditar o debate constituinte, a discussão, a
crítica e a campanha pelo referendo aprobatório”, afirmou Chávez ao apresentar
o projeto de reforma que inclui o fim do monopólio privado, do latifúndio, a
jornada de seis horas de trabalho e o poder popular
Hugo Chávez apresentou, no dia 15, à Assembléia Nacional o projeto de Reforma Constitucional. Ao apresentá-lo, o
presidente da Venezuela destacou que “as mudanças permitem abrir uma nova
etapa de construção da Venezuela Bolivariana e Socialista, abrem ao povo novos
horizontes, abrem as portas a uma nova era”.
Ele conclamou
também o debate nacional sobre a aprovação da reforma: “impulsionemos todos os
espaços, vamos reeditar o debate constituinte, a discussão, a crítica, a
campanha que terá que ser feita para realizar o referendo aprobatório. É isto
que espero desta proposta”.
Depois da
apresentação à Assembléia Nacional, o passo seguinte é a discussão por parte
do legislativo para depois proceder-se à consulta nacional popular, pois como
disse o presidente, “é o povo que reclama maior velocidade nas mudanças e que
sigamos derrubando barreiras e obstáculos, que sigamos cortando nós górdios
que amarram, detêm e muitas vezes angustiam”.
A proposta de
Chávez, com itens destacados a seguir, inclui artigos como o que determina que
a democracia socialista seja impulsionada; o fim do monopólio privado e do
latifúndio; a jornada de seis horas de trabalho; reserva ao Estado a
exploração dos hidrocarbonetos e institui um economia social onde o interesse
comum se sobrepõe ao individualista. A reforma atinge 10% da Constituição já
em vigor, modificando 33 artigos.
Democracia
Socialista
“O Estado promoverá
a participação popular e as melhores condições para a construção de uma
democracia socialista”, destacou o presidente ao apresentar a proposta de
reforma constitucional.
“Além da eleição de
cargos públicos e o referendo, estamos agregando os conselhos do Poder
Popular. É um aprofundamento da democracia. Para poder continuar construindo a
verdadeira democracia participativa e protagônica”, destacou.
Formas de
propriedade
“Na nova proposta
se reconhece e se garantem as diferentes formas de propriedade”, afirmou
Chavez. As formas de propriedade propostas são: pública, social, coletiva,
mista e privada. A propriedade pública é a que pertence aos órgãos de Estado.
A social é a que pertence ao povo em seu conjunto e pode ser direta ou
indireta. A coletiva é a que pertence a grupos sociais ou a indivíduos e
utilizadas para proveito social (pode ser portanto, de ordem social ou
privada). A propriedade privada pertence a cidadãos ou pessoas jurídicas.
Fim do monopólio
privado
No artigo 113 fica
proibido o monopólio privado.
Fim do Latifúndio
“Temos lutado
contra o latifúndio, no entanto, não ficou ainda bem afiada a arma
constitucional contra esse resquício da colônia e do feudalismo. Que se fixe,
como já diz o artigo 307, que o regime latifundiário é contrário ao interesse
social. Ainda há muita terra extremamente fértil que se encontra ociosa”,
declarou, acrescentando que o artigo começa com o preâmbulo, “Proíbe-se o
latifúndio”.
Jornada de 6 horas
A proposta modifica
o artigo 90, reduzindo a jornada de trabalho para seis horas diárias, sendo
que as diurnas não excederão as 36 horas semanais e as noturnas 34. “Isso
permitirá elevar o nível de produtividade, o crescimento e o desenvolvimento
nacional e diminuir a economia informal e o desemprego, que já se reduziu de
10% para 8%”, destacou Chávez. “Os trabalhadores disporão assim de tempo para
o seu desenvolvimento integral”.
O Estado se reserva
a exploração de hidrocarbonetos
O Estado se reserva
por razões de soberania, desenvolvimento e interesse nacional a atividade de
exploração de hidrocarbonetos líquidos, sólidos e gasosos, assim como as
explorações, serviços e bens de interesse público e caráter energético.
O Estado promoverá
ainda a indústria nacional de matérias primas provenientes da exploração dos
recursos naturais não renováveis com o fim de criar e inovar tecnologias,
gerar empregos e crescimento econômico e criar riquezas e bem-estar para o
povo.
Período
presidencial de sete anos e reeleição
O período
presidencial é de sete anos. O presidente pode ser reeleito para um novo
período. Chávez acrescentou que “a reeleição contínua seria uma possibilidade
que dependeria da vontade, da capacidade dos fatores políticos e ao fim de
contas da decisão do constituinte originário, o povo venezuelano”.
Economia social com
preponderância do interesse comum sobre o individual
O Estado promoverá
o desenvolvimento de um modelo econômico produtivo que intermedia entre a
produção e o consumo, diversificado e independente, fundado em valores
humanísticos e na cooperação e preponderância dos interesses comuns sobre os
individuais, que garanta a satisfação das necessidades sociais e materiais do
povo e a maior soma de felicidade possível.
Para tanto o Estado
fomentará e desenvolverá distintas formas de empresas e unidades econômicas de
propriedade social, tanto direta ou comunal, como indireta ou estatal assim
como empresas ou unidades econômicas de produção e/ou distribuição social.
Chávez destacou que
“isto é imprescindível para que se faça com êxito a construção do modelo
socialista”.