Falsários de ‘Veja’ pegos
no conto dos grampos do STF
O ministro da Justiça, Tarso
Genro, confirmou nesta segunda-feira que a notícia publicada por “Veja”, na
edição deste final de semana, que agentes federais estariam negociando escutas
telefônicas com conversas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é
falsa. Uma investigação da Polícia Federal (PF) mostrou que os e-mails
apócrifos recebidos pelo ministro Marco Aurélio Mello, relatando o suposto
grampo, faziam parte de uma vingança pessoal.
A Polícia Federal apurou que
um funcionário do INSS, por vingança, depois de ser exonerado por corrupção,
tentou incriminar o delegado que o investigou. Tarso Genro relatou que o
resultado da investigação foi informado ao ministro Marco Aurélio, há cerca de
um mês, esclarecendo o episódio. “São deturpações que ocorrem, mas que não
afetam as instituições, porque no Brasil as instituições são sólidas”,
afirmou.
O ministro da Justiça
assinalou que a PF não faz grampos ilegais, sendo que qualquer denúncia será
apurada e “exemplarmente punida”, porque o policial que fizer esse tipo de
monitoramento ilegal estará cometendo “uma afronta à PF, que vem se
aperfeiçoando desde a redemocratização do país”.
“O sujeito (funcionário do
INSS) queria fustigar o delegado. Trata-se de retaliação. Foi satisfatória a
apuração. Dei o episódio como suplantado”, declarou o ministro Marco Aurélio.
Segundo “Veja”, os ministros
Sepúlveda Pertence, Cezar Peluso, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Gilmar
Mendes estão entre os ministros do STF que suspeitariam da existência de
grampos ilegais em seus aparelhos telefônicos. Para a revista, Sepúlveda
Pertence teria antecipado seu pedido de aposentadoria, feito na semana
passada, devido aos supostos grampos, atribuídos pela publicação a uma “banda
podre” da PF.
Em entrevista ao portal
Terra, nesta segunda-feira, o ministro afirmou que não acreditava no
hipotético grampo. “Não, não tenho nenhuma razão para crer em grampo
telefônico”, disse Pertence, que foi cotado, em janeiro, para assumir o
Ministério da Justiça, órgão que controla a Polícia Federal.
O presidente da Associação
Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Sandro Torres Avelar, também
rebateu a matéria publicada por “Veja”, assinalando que as denúncias “são
acusações graves e sem fato concreto”. Em nota encaminhada à imprensa no
domingo, o presidente da entidade ressaltou que a matéria “causou, mais que
estranheza, verdadeiro espanto e profunda náusea”.