Resposta a algumas
inverdades da mídia
JOSÉ DIRCEU
Não consigo ficar sem dar
respostas às matérias que a imprensa tem publicado a meu respeito. Apesar de
não dar entrevistas nos últimos dias, por orientação de meu advogado, sou
obrigado a responder e esclarecer determinadas matérias, como fiz em relação à
do colunista Diogo Mainardi, da Veja. A mídia volta a publicar inverdades,
como essa pérola de que dou “consultoria secreta”, como escreveu um jornalista
da Folha. Todas as minhas consultorias estão declaradas no imposto de renda e
não são públicas por uma generalizada e usual prática de confidencialidade,
nada mais do que isso. As empresas exigem essa cláusula e, no meu caso, tem o
agravante de que jornalistas que me pediam para divulgar os nomes das empresas
foram os primeiros a pressionar essas empresas com uma publicidade negativa
que beira a exigência de que não me contratem como consultor.
Outra inverdade é que faço
lobby. Já respondi inúmeras vezes e até hoje não há nenhuma evidência, prova
ou mesmo indício de que faço lobby, mas a cantilena continua. Na verdade, não
querem permitir que eu exerça minha profissão de advogado e a atividade
legítima de consultor. Querem me interditar, como na ditadura. Não bastou me
afastar do governo e do PT e ainda cassar meu mandato. Agora não posso exercer
minha profissão e ganhar a vida com a experiência que adquiri em 45 anos de
trabalho, já que comecei com 15 anos de idade.
Na sua já prática natural,
como se isso fosse ético, nossa imprensa continua escondendo os fatos que
provam minha inocência. Um jornal carioca não me cita, mas põe uma foto minha
numa matéria sobre denunciados investigados pela Receita Federal que,
supostamente, teriam cometido ilícitos ou sonegação. Já declarei inúmeras
vezes que durante 17 meses tive minha vida patrimonial, bancária e fiscal, de
2000 a 2005, investigada pela Receita, e nada foi encontrado de ilícito ou
sonegação. Logo, fui inocentado, recebi uma espécie de atestado de honestidade
da Receita Federal. O mesmo vale para as investigações e inquéritos ou mesmo
CPIs nas quais fui inocentado, no chamado caso Waldomiro Diniz, onde eu sequer
sou citado em duas investigações, dois inquéritos e duas CPIs, e a denúncia
caluniosa do irmão do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel, que
se retratou em juízo. Nesses casos, também fui inocentado, mas a imprensa
finge desconhecer.
Agora, a mídia constrói
castelos de cartas sobre meu futuro, quando já deixei claro que minha
prioridade é minha defesa no Supremo Tribunal Federal e minha anistia. Não
tenho planos futuros, não participo da disputa interna do PT, sou delegado
eleito por defensores de todas as teses no meu diretório na Vila Mariana, em
São Paulo, e delegado ao Encontro Nacional, eleito pelo Encontro Estadual de
São Paulo. Vou ao Congresso do PT como filiado, não voltarei a ser dirigente
do PT e não sou candidato às eleições de 2010, simplesmente porque sou
inelegível.
Mas tenho legitimidade e
direito de fazer política, de ser militante do PT e de participar, porque
tenho direitos políticos, apenas sou inelegível por oito anos, fruto de uma
cassação sem provas. E não abrirei mão de participar da vida política
brasileira, porque nos últimos 40 anos lutei pela democracia, pela construção
do PT, pela eleição de Lula e pelo governo do qual tive a honra de participar.
Não aceito a morte civil que
querem me impor, nem o pré-julgamento que a mídia já fez. Sou inocente e vou
provar.
Artigo publicado no site
do ex-ministro da Casa Civil.