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CUT leva 20 mil à Esplanada pela manutenção do veto à emenda 3

Com o lema “Garantir direitos, avançar nas conquistas”, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) realizou em Brasília o seu Dia Nacional de Mobilização, 15 de agosto, que teve como prioridade a defesa da manutenção do veto presidencial à emenda 3.

 “Reunimos mais de 20 mil companheiros e companheiras em frente ao Congresso para deixar claro a deputados e senadores que a classe trabalhadora brasileira não aceita o retrocesso proposto pela agenda dos derrotados. A essência da emenda 3 é o assalto aos direitos, a precarização e degradação das relações de trabalho, como querem privatistas e neoliberais. O Brasil precisa é de desenvolvimento, com geração de emprego e renda, para que possamos avançar”, declarou o presidente nacional da CUT, Artur Henrique.

Segundo Artur, a energia expressa na manifestação, com caravanas vindas de todos os Estados do país e que enfrentaram até 50 horas de viagem, demonstra o compromisso e a identidade do conjunto da militância com as reivindicações apresentadas pela CUT aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. 

JORNADA DE LUTAS 

“Mais do que um dia de mobilização, o que temos é uma jornada de lutas, que potencializa as várias iniciativas de distintas categorias por melhorias nas condições de vida e trabalho, seja pela redução da jornada, pelo combate à informalidade ou contra a limitação do direito de greve”, destacou Artur.

 De acordo com o líder petroleiro Antonio Carlos Spis, da executiva nacional da CUT e da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), “a emenda 3 transforma o trabalhador em pessoa jurídica, os chamados ‘pjs’ - totalmente destituídos de direitos -, e ainda inviabiliza a fiscalização, significando na prática o liberou geral para a exploração selvagem. É importante que os parlamentares entendam o recado: se atentarem contra os nossos direitos e derrubarem o veto do Lula contra essa emenda safada, é greve geral”.

Desde as primeiras horas da manhã, trabalhadores das mais variadas categorias e estados começaram a chegar em caravanas à Esplanada, como os cearenses, que enfrentaram 48 horas de estrada. De capacete, os trabalhadores da construção civil ergueram faixas contra a Emenda 3 e em repúdio à terceirização, que vitima mais de 70% da categoria, conforme admitido pelos próprios empresários. Com bom humor, trabalhadores da alimentação desfilaram vestidos como frangos gigantes, empurrando cadeira de rodas com um funcionário lesionado empunhando cartaz com a frase: “Não agüentei o ritmo”. Da mesma forma, foram lembrados os canavieiros que têm morrido por estafa no Estado mais rico do país. Vestida de verde, a delegação de trabalhadores da educação pública levantava bandeiras em defesa do Piso Nacional e agricultores familiares da Contag e da Fetraf destacavam a luta pela mudança no Índice de Produtividade e medidas de apoio à reforma agrária. 

NEGOCIAÇÃO 

Para Lúcia Reis, servidora pública federal e da direção da CUT, “a ratificação da  Convenção 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que prevê a negociação coletiva no serviço público como um direito, será uma importante sinalização do governo para o funcionalismo”. “Queremos o estabelecimento de um sistema de negociação permanente para os trabalhadores públicos e o controle social, única forma de termos os serviços valorizados, atendendo especialmente a população que mais necessita”, frisou. 

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e dirigente da executiva nacional da CUT, José Lopez Feijóo ressaltou que também “cresce a pressão em favor da ratificação da Convenção 158 da OIT, que impede a dispensa imotivada e em massa”. “Em nossas audiências com ministros, no STF e no Congresso também denunciamos o interdito proibitório, que é uma medida inconstitucional que vem sendo utilizada por empresários e juízes em afronta aos direitos de organização sindical e de greve”, acrescentou Feijóo.

LEONARDO  SEVERO

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22/08/2007
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