Pochmann defende recuperar o Estado para o
desenvolvimento
Assim como “a garantia dos direitos do trabalho é
condição necessária para que um país cresça com poder de distribuir os seus
frutos”, avaliou
Ao tomar posse como novo presidente do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), o economista Márcio Pochmann defendeu o
fortalecimento do Estado como ferramenta para o desenvolvimento a fim de
proporcionar políticas públicas que assegurem o bem-estar da população. A
valorização do quadro de servidores públicos foi apontada para assegurar a
construção de infra-estrutura e a expansão do atendimento educacional e de
saúde.
“Temos um Estado
raquítico”, afirmou durante a solenidade de posse, dia 14, em Brasília.
Segundo ele, hoje os funcionários públicos representam apenas 8% dos
trabalhadores brasileiros, quando em 1980 essa taxa era de 12%. “Nos países
desenvolvidos varia de 18%, nos Estados Unidos, a 40%, nas nações
escandinavas”.
O que dificulta, de
acordo com o economista, a implementação de programas do governo, como o PAC.
Pochmann disse que ainda existe falta de pessoal para gerenciar o programa.
“O desenvolvimento
volta a bater à nossa porta, com o conjunto dos avanços proporcionados pelas
inovações tecnológicas”, mas existência dessas tecnologias ainda não garante a
melhoria da qualidade de vida da população.
O economista disse
que pretende conversar com os ministros para verificar as formas de o órgão
auxiliar no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
TRABALHO
Márcio Pochmann
criticou a corrente de economistas que compartilham de um “falso otimismo com
a possibilidade de superação do atraso” econômico do Brasil sem antes eliminar
o atraso nas condições de trabalho da população. “Acredito que a inclusão
social sustentável é aquela que se dá por intermédio do trabalho”, disse, ao
participar na mesma data, pela manhã, da Campanha pela Efetivação do Direito
do Trabalho, da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).
“A garantia dos direitos do trabalho é condição necessária para que um país
cresça com poder de distribuir os frutos do seu desenvolvimento”, completou.
Ele avalia que nos
últimos 6 anos constata-se uma evolução positiva no nível de emprego, mas, “a
cada dez trabalhadores, nove são com remuneração de até dois salários
mínimos”, disse, ao criticar a flutuação de salários praticada pelas empresas.
A carteira de trabalho é uma forma de garantia dos direitos para trabalhadores
assalariados, mas é necessário pensar em políticas para resolver a questão do
trabalho informal, como os ambulantes. “Nossa sociedade se transforma muito
rapidamente. A gente tem que ser contemporâneo das nossas transformações”,
apontou Pochmann, que é autor de um estudo sobre a terceirização nos contratos
de trabalho. O economista é autor de A batalha do primeiro emprego e
outros 26 livros focados na questão da inclusão social, desenvolvimento
econômico e políticas de emprego.
Segundo Pochmann,
“fortalecer o Ipea, potencializar a sua função básica de pensar o
desenvolvimento nacional, e valorizar a inovação nos campos das políticas
públicas matriciais e articuladas, são os nossos propósitos inalienáveis”.
Em entrevista à
Agência Carta Maior, o economista apontou o futuro do instituto: “Nossa
proposta é discutir o desenvolvimento do país, não só o crescimento econômico.
Isso implica discutir educação, saúde, serviços, ciência e tecnologia,
cultura, só para começar”.
JOSI SOUSA