Ministério anuncia liberação de R$ 26 mi para a crise da Saúde em Alagoas
O Ministério da Saúde anunciou,
no último dia 20, o envio de R$ 26 milhões para Alagoas no intuito de ajudar a
superar o estado de calamidade pública, decretada pelo governo estadual. Desde
julho, 245 médicos do Sistema Único de Saúde aderiram ao regime de demissão
coletiva em protesto contra os baixos salários, sem reajuste há oito anos, e
reivindicam um aumento de 50%.
O governador Teotonio Vilela
Filho (PSDB), que esteve em Brasília para audiência com o ministro Temporão,
agradeceu o aumento do repasse do Ministério mas disse, na segunda-feira, que
o recurso ainda não é suficiente para resolver o problema dos médicos. Da
verba prometida pelo Ministério, R$ 23 milhões devem ser aplicados em
procedimentos de média e alta complexidade e R$ 3 milhões em recursos de
gestão. De acordo com o governador, seriam necessários R$ 22 milhões somente
para apresentar aos médicos um percentual de reajuste próximo ao exigido.
Os médicos reivindicam um
aumento de 50%, o que elevaria o menor salário da categoria para R$ 1.500,
quando o piso salarial nacional é de R$ 3.800. O governo ofereceu apenas 5%.
Na segunda-feira, mais 8
neurocirurgiões e 7 hematologistas pediram demissão. Os 245 já tinham entrado
com o pedido de demissão deixaram de trabalhar na sexta-feira passada, depois
de cumprido o tempo obrigatório de permanência na função.
“A situação de Alagoas é
gravíssima. Os médicos recebem mal, sim. Muito mal. Como um médico pode
receber um salário de R$ 1,2 mil por mês? Isso é inadmissível. Mas, por outro
lado, a situação do estado não permite que se dê além. Alagoas vive um momento
dramático. O estado não pode atender a essas reivindicações, que são justas”,
disse Teotonio Vilela Filho.
João Gabbardo, secretário
adjunto de Atenção à Saúde do Ministério, explicou que os médicos em greve
“são funcionários públicos estaduais que estão reivindicando melhores
salários” e que “essa é uma situação em que o Ministério da Saúde não tem como
agir, é uma situação que deve ser resolvida entre os servidores públicos e o
governo do estado”. Gabbardo lembrou também que “o Ministério da Saúde pode
intervir naquilo que é possível, ajudando os estados nessa negociação”.
O Ministério ainda vai
encaminhar R$ 555 milhões “para atender as urgências de todos os estados
brasileiros e do Distrito Federal no atendimento aos serviços de média e alta
complexidade”, afirmou o secretário.